A hipertensão portal é uma síndrome clínica caracterizada por aumento da pressão venosa no sistema porta com formação de colaterais. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir. I. Ascite, varizes de esôfago, peritonite bacteriana espontânea e hiperesplenismo são complicações da hipertensão portal. II. As causas mais frequentes de hipertensão portal em pediatria são a atresia de vias biliares e a obstrução extra-hepática da veia porta. III. A indicação de profilaxia pré-primária com betabloqueadores em crianças cirróticas com hipertensão portal está bem estabelecida. Está correto o que se afirma em
- A)I, somente.
Esta alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta, isto é, que ascite, varizes de esôfago, peritonite bacteriana espontânea e hiperesplenismo são complicações da hipertensão portal. Esse conteúdo está certo, porque todas essas manifestações decorrem do aumento da pressão no sistema porta, com formação de colaterais e congestão esplâncnica. O erro está em limitar a resposta só a I, pois a afirmativa II também está correta.
- B)II, somente.
Esta alternativa afirma que somente a II está correta, ou seja, que, em pediatria, as causas mais frequentes de hipertensão portal seriam a atresia de vias biliares e a obstrução extra-hepática da veia porta. Essa ideia procede, porque essas etiologias estão entre as mais comuns na faixa pediátrica, reunindo causas intra-hepática e extra-hepática da síndrome. Ela falha porque a afirmativa I também é verdadeira, então não se pode isolar apenas a II.
- C)III, somente.
Esta alternativa diz que apenas a III está correta, isto é, que já estaria bem estabelecida a profilaxia pré-primária com betabloqueadores em crianças cirróticas com hipertensão portal. O enunciado de III está errado, porque em pediatria não há evidência consolidada para recomendar rotineiramente betabloqueadores nessa indicação, ao contrário do que ocorre em parte da prática adulta. Além disso, as afirmativas I e II também são verdadeiras, então a resposta não pode se apoiar só na III.
- D)I e II, somente.
Esta alternativa reúne as afirmativas I e II, deixando de fora a III. É exatamente o conjunto correto, porque I descreve complicações clássicas da hipertensão portal e II aponta duas das causas mais frequentes em pediatria, enquanto III erra ao sugerir uma profilaxia pré-primária com betabloqueadores já bem estabelecida em crianças. Por isso, o item corresponde ao gabarito.
- E)I, II e III.
Esta alternativa afirma que I, II e III estão corretas. As duas primeiras realmente estão de acordo com a fisiopatologia e com a epidemiologia pediátrica da hipertensão portal, mas a III está equivocada ao sugerir recomendação consolidada de betabloqueadores na profilaxia pré-primária em crianças cirróticas. Como um dos três enunciados falha, não é possível marcar o trio completo.
Gabarito: D
A hipertensão portal acontece quando a pressão no sistema porta sobe e o sangue começa a procurar rotas alternativas, formando colaterais. Isso explica por que surgem complicações como ascite, varizes esofágicas, peritonite bacteriana espontânea e hiperesplenismo: todas são consequências clássicas da congestão portal e da circulação colateral. Na pediatria, as causas mudam um pouco do padrão do adulto. Duas causas muito lembradas e frequentes são a atresia de vias biliares e a obstrução extra-hepática da veia porta, exatamente como afirma o item II. Em criança, especialmente nos quadros de colestase crônica e trombose/obstrução portal, a hipertensão portal pode aparecer cedo e chamar atenção por esplenomegalia, sangramento digestivo e ascite. Já o item III está errado porque a profilaxia pré-primária com betabloqueadores em crianças cirróticas com hipertensão portal não é algo bem estabelecido na prática pediátrica. Em outras palavras, o que é consolidado em alguns cenários do adulto não pode ser simplesmente “copiado e colado” para a criança. A literatura pediátrica é mais cautelosa e não sustenta essa indicação como rotina. Por isso, o gabarito D faz sentido: estão corretas apenas as afirmativas I e II. A banca costuma cobrar justamente essa distinção entre complicações clássicas, causas pediátricas frequentes e o que ainda não tem indicação firmemente consolidada na infância.