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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente jovem de 19 anos dá entrada no pronto-socorro trazido por amigos após ter ingerido 2 litros de destilado como parte de um desafio proposto pelos colegas. A ingesta ocorreu rapidamente, há cerca de 90 minutos. Dá entrada comatoso, em Glasgow 3, com claros sinais de não proteção de via aérea, com os seguintes sinais vitais: FR 8, SatO2 80% em ar ambiente, FC 130, PA 90x60, glicemia capilar 55mg/dL. Segundo relatos dos amigos, trata-se de paciente com ingesta abusiva de álcool frequente, mas que nunca fez uso de quaisquer outras drogas. Não faz parte do manejo inicial desse paciente:

Gabarito: A

Aqui a cena é clássica de intoxicação alcoólica grave: paciente jovem, rebaixado, hipoxêmico, hipoglicêmico e sem proteção de via aérea. No manejo inicial, o foco é ABCDE: garantir via aérea com intubação orotraqueal, corrigir a glicemia, dar suporte ventilatório e hemodinâmico, além de hidratação venosa e monitorização. Em alcoolemia importante, também vale pensar em tiamina, principalmente em quem tem uso abusivo frequente de álcool, para reduzir risco de encefalopatia de Wernicke, idealmente antes ou junto da glicose quando houver suspeita clínica. O ponto-chave da questão é que a lavagem gástrica e o carvão ativado não fazem parte do manejo inicial dessa situação. Primeiro, porque etanol tem absorção rápida e, com 90 minutos de ingestão, o benefício de descontaminação já é muito limitado. Segundo, porque o paciente está com Glasgow 3 e não protege a via aérea, o que torna qualquer procedimento oral/gástrico arriscado sem intubação prévia. Na prática, isso vira um convite para broncoaspiração, e ninguém quer esse enredo no plantão. Além disso, carvão ativado não é rotina para álcool etílico, já que sua eficácia é baixa para etanol e não muda desfecho na maioria dos casos. Lavagem gástrica, por sua vez, ficou reservada a situações muito selecionadas de intoxicações graves por substâncias potencialmente fatais, com janela muito curta e via aérea protegida, o que não é o cenário aqui. Portanto, a alternativa errada, que não faz parte do manejo inicial, é a descontaminação gastrointestinal proposta na letra A. O resto é suporte imediato e intensivo, porque aqui o problema não é "só embriaguez", é depressão neurológica e risco real de parada respiratória.

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