Paciente de 72 anos, sexo masculino, tabagista, hipertenso e dislipidêmico, apresenta-se em consulta ambulatorial com relato de claudicação intermitente incapacitante para mínimas distâncias, mas nega ainda dor em repouso. Ao exame físico dos membros superiores, observa-se baqueteamento digital, porém pulsos radiais amplos e simétricos. Na avaliação dos pulsos dos membros inferiores, observa-se pulsos femorais amplos, pulsos poplíteos ausentes, e pulsos podálicos também ausentes. Com essas informações, indique as classificações Fontaine e Rutherford para o caso apresentado.
- A)Fontaine I / Rutherford 0.
Errada, porque Fontaine I e Rutherford 0 são quadros assintomáticos, e o paciente tem claudicação importante.
- B)Fontaine IIa / Rutherford 2.
Errada, porque Fontaine IIa e Rutherford 2 correspondem a claudicação menos intensa, não incapacitante para mínimas distâncias.
- C)Fontaine IIb / Rutherford 3.
Certa, porque o quadro é de claudicação intermitente grave, sem dor em repouso, o que corresponde a Fontaine IIb e Rutherford 3.
- D)Fontaine III / Rutherford 4.
Errada, porque Fontaine III e Rutherford 4 já pressupõem dor em repouso, ausente no caso.
- E)Fontaine IV / Rutherford 5.
Errada, porque Fontaine IV e Rutherford 5 exigem lesão trófica, como úlcera ou gangrena, o que não foi descrito.
Gabarito: C
A classificação de Fontaine e a de Rutherford servem para graduar a doença arterial obstrutiva periférica pela clínica. Na prática, a pergunta-chave é: o paciente só cansa ao andar, ou já tem dor em repouso e lesão trófica? Aqui ele tem claudicação intermitente incapacitante para distâncias mínimas, mas ainda nega dor em repouso. Isso coloca o quadro no estágio de claudicação grave, sem chegar à isquemia crítica. Pela Fontaine, a claudicação intermitente corresponde ao estágio II. Quando a limitação é importante e aparece para distâncias curtas, falamos em Fontaine IIb. O estágio III já exigiria dor em repouso, e o IV, úlcera ou gangrena. Então, pela descrição, não há como subir para III ou IV. Pela Rutherford, a lógica é parecida, mas com outra numeração. A claudicação grave é Rutherford 3. Rutherford 0 seria assintomático, 1 e 2 seriam claudicação leve a moderada, 4 já seria dor de repouso, e 5 e 6 envolveriam perda de tecido. Como o paciente ainda não tem dor em repouso nem lesão trófica, o encaixe correto é Rutherford 3. Os pulsos ausentes em membros inferiores ajudam a localizar a doença arterial, sugerindo comprometimento femoropoplíteo e distal, mas não mudam a classificação clínica por si só. Em prova, a banca gosta de separar bem o que é sintoma funcional e o que é estágio de isquemia: aqui o sintoma manda, e ele grita claudicação severa, não isquemia em repouso.