A ocorrência de bloqueio átrioventricular, BAV, no pós-operatório de cirurgia cardíaca é situação que tem impacto na morbidade e na mortalidade. Este distúrbio da condução ocorre em 10 a 15% das cirurgias cardíacas. Em relação ao BAV pós-operatório, assinale a afirmativa correta.
- A)Segundo as diretrizes americanas e europeias, o tempo ótimo para implante de marca passo é de 3 a 5 dias.
Errada, porque as diretrizes costumam recomendar observação por mais tempo antes do implante definitivo, já que o BAV pode regredir no pós-operatório.
- B)A revascularização do miocárdio é o procedimento cirúrgico com mais alta taxa de implante de marca-passo pósoperatório.
Errada, pois a cirurgia com maior taxa de marca-passo pós-operatório é a valvar, especialmente a cirurgia da valva aórtica, e não a revascularização isolada.
- C)Endocardite infecciosa, tempo de clampeamento aórtico e tempo de CEC são fatores de risco para BAV no pósoperatório.
Certa, porque endocardite infecciosa, maior tempo de clampeamento aórtico e maior tempo de CEC são fatores associados a maior risco de BAV no pós-operatório.
- D)A idade avançada, a cirurgia da válvula aórtica e a disfunção ventricular esquerda não tem influência na ocorrência de BAV no pós-operatório.
Errada, porque idade avançada, cirurgia da valva aórtica e disfunção ventricular esquerda podem, sim, influenciar o risco de BAV após a cirurgia.
- E)A incidência de implante de marca-passo definitivo em todos os tipos de cirurgia cardíaca está entre 5 e 15%.
Errada, porque essa faixa de 5 a 15% está supergeneralizada e não corresponde de forma precisa à incidência global de implante definitivo em todos os tipos de cirurgia cardíaca.
Gabarito: C
O bloqueio atrioventricular (BAV) no pós-operatório de cirurgia cardíaca acontece porque a região do sistema de condução pode sofrer manipulação, edema, isquemia ou lesão direta durante o procedimento. Na prática, isso é mais comum em cirurgias que ficam bem perto do nó AV e do feixe de His, como a cirurgia valvar, especialmente a da valva aórtica. Nem todo BAV pós-operatório vira marca-passo definitivo. Muitas vezes o distúrbio é transitório, então a conduta costuma ser observar o paciente por alguns dias, mantendo suporte com marcapasso provisório se necessário. As diretrizes americanas e europeias, em geral, recomendam aguardar mais tempo do que 3 a 5 dias antes de implantar o dispositivo definitivo, justamente porque a condução pode se recuperar. A alternativa C está correta porque endocardite infecciosa, tempo prolongado de clampeamento aórtico e tempo maior de circulação extracorpórea (CEC) aumentam o risco de BAV no pós-operatório. Faz sentido: quanto mais complexa e prolongada a cirurgia, maior a chance de agressão ao sistema de condução e de lesão inflamatória ou isquêmica. Em provas, lembre da lógica: cirurgia valvar, principalmente aórtica, tempo cirúrgico maior e doenças que complicam a anatomia ou o tecido cardíaco elevam o risco de distúrbio de condução. Já as taxas e o tempo ideal de implante do marcapasso definitivo variam conforme a recuperação da condução, então a banca adora trocar números e prazos para confundir.