Paciente com lesão cística na linha média do pescoço, localizada em região hioidea e que se eleva com a protrusão da língua. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais provável e o tratamento, respectivamente.
- A)Cisto branquial e o tratamento é a ressecção.
Cisto branquial costuma aparecer mais lateralmente no pescoço, e não na linha média hioidea, além de não ter a associação típica com protrusão da língua.
- B)Cisto de canal tireoglosso e o tratamento é a ressecção com inclusão do corpo do osso hioide.
Correta: trata-se de cisto do canal tireoglosso, e o tratamento de escolha é a cirurgia de Sistrunk, com retirada do trajeto e do corpo central do hioide.
- C)Cisto dermóide submentoniano e o tratamento é a ressecção sob anestesia geral.
Cisto dermóide submentoniano pode entrar no diferencial da linha média, mas não costuma subir com a protrusão da língua e o tratamento não é definido por esse achado clássico.
- D)Lipoma e o tratamento é cirúrgico.
Lipoma é uma hipótese muito pouco compatível com lesão cística e com mobilidade à protrusão da língua, além de não explicar a topografia típica descrita.
- E)Linfangioma cavernoso e o tratamento é a ressecção.
Linfangioma cavernoso pode ocorrer no pescoço, mas geralmente tem outro padrão clínico e de imagem, sem a relação característica com o osso hioide e a protrusão lingual.
Gabarito: B
Uma lesão cística na linha média do pescoço, especialmente na região do osso hioide, que se desloca ou sobe quando a pessoa protrai a língua, é praticamente a assinatura de um cisto do canal tireoglosso. Isso acontece porque essa estrutura embrionária está ligada ao trajeto de migração da tireoide, e o cisto costuma “acompanhar” esses movimentos por sua aderência ao hioide e aos tecidos vizinhos. Em prova, esse detalhe da língua é um presente da banca: quando aparece, pense primeiro em canal tireoglosso. O tratamento não é simplesmente “tirar o cisto” e pronto. O procedimento clássico é a cirurgia de Sistrunk, que inclui a ressecção do cisto, do trajeto fistuloso e da porção central do corpo do osso hioide. Isso reduz muito a chance de recidiva, porque se você retirar só a lesão e deixar o trajeto embrionário, o problema pode voltar. A lógica é: não basta apagar a ponta do iceberg, tem que remover o que o sustenta. As demais opções tentam confundir com massas cervicais diferentes, mas o local em linha média e a mobilidade com a protrusão da língua fecham o diagnóstico de canal tireoglosso. Então o gabarito B está correto tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Em cirurgia geral, esse é um tema clássico de prova, quase um “carimbo” de embriologia aplicada à clínica.