Homem 70 anos, internado por 30 dias em unidade hospitalar, por pneumonia bacteriana grave, apresenta diarreia aquosa há 10 dias, com cólica e queda do estado geral. Sabendo que a pesquisa da toxina A e B para C. difficili nas fezes foi positiva, assinale a opção que indica a melhor conduta a ser seguida.
- A)Realizar colonoscopia com biopsias para confirmar o diagnóstico.
Errada: colonoscopia não é necessária quando há quadro clínico típico com toxina positiva, e ainda pode ser arriscada em colite ativa.
- B)Isolar o paciente e os contactantes assintomáticos.
Errada: o isolamento de contato é importante, mas sozinho não trata a infecção nem resolve o quadro clínico do paciente.
- C)Iniciar vancomicina 125mg via oral de 6/6 horas por 10 dias.
Certa: vancomicina por via oral é tratamento clássico e adequado para colite por C. difficile com diarreia sintomática.
- D)Iniciar clindamicina 600mg via oral de 6/6 horas por 10 dias.
Errada: clindamicina é um antibiótico associado ao desencadeamento de C. difficile e pode piorar o quadro.
- E)Iniciar metronidazol 100mg endovenosa de 6/6 horas por 10 dias.
Errada: metronidazol endovenoso não é a melhor escolha aqui, e a via oral é mais apropriada para atuar no cólon.
Gabarito: C
A infecção por Clostridioides difficile costuma aparecer depois de antibióticos e internação prolongada, exatamente o tipo de cenário desta questão. O quadro clássico é diarreia aquosa, dor abdominal em cólica e piora do estado geral, com teste de toxinas A e B positivo nas fezes, o que praticamente fecha o diagnóstico sem precisar de colonoscopia. Na prática, o tratamento inicial dos casos sintomáticos é feito com antibiótico por via oral, porque a doença fica no intestino e o remédio precisa chegar lá em boa concentração. A vancomicina oral é uma das melhores escolhas, sobretudo em pacientes hospitalizados e idosos, como este homem de 70 anos. A conduta da alternativa C está correta porque a vancomicina 125 mg VO de 6/6 horas por 10 dias é esquema clássico para colite por C. difficile. Metronidazol ficou para cenários leves no passado, mas hoje perdeu espaço nas recomendações principais, e a via oral é a preferida quando o paciente consegue ingerir medicação. Além disso, medidas de controle de infecção também são importantes, com isolamento de contato e higiene rigorosa das mãos, mas isso não substitui o tratamento. Então, o ponto-chave aqui é: teste positivo com sintomas compatíveis pede tratamento específico, e não investigação invasiva nem antibiótico que precipita a doença.