Em relação ao pré-operatório de pacientes em terapia biológica, assinale a afirmativa correta.
- A)Não é necessário suspender o uso de anti-TNF alfa para cirurgias de médio porte ortopédicas.
Errada: cirurgias ortopédicas de médio porte podem exigir avaliação individual e, muitas vezes, suspensão programada do anti-TNF, não sendo correto afirmar isso de forma absoluta.
- B)Não é necessária a retirada de biológicos para cirurgias de baixo risco infeccioso, pequeno porte e sem outras complicações clínicas.
Certa: em cirurgia de baixo risco infeccioso, pequeno porte e sem outras complicações clínicas, não se indica rotineiramente suspender o biológico.
- C)Todos os biológicos devem ser suspensos, independente do porte cirúrgico, por pelo menos 4 meias vidas, antes dos procedimentos.
Errada: não existe regra de suspender todos os biológicos por 4 meias-vidas em qualquer cirurgia; a conduta depende do risco do procedimento e do fármaco.
- D)Apenas os anti-TNF alfa devem ser suspensos antes da cirurgia, por aumentarem infecções de ferida operatória.
Errada: a suspensão não se limita apenas aos anti-TNF alfa, porque outros biológicos também podem demandar manejo perioperatório específico.
- E)Tocilizumabe e abatacepte não devem ser suspensos no préoperatório porque não alteram os níveis de imunoglobulinas.
Errada: a decisão de suspender não depende apenas de alterar imunoglobulinas, e tocilizumabe e abatacepte podem, sim, exigir avaliação perioperatória conforme o contexto.
Gabarito: B
Em terapia biológica, a pergunta central no pré-operatório não é “zera ou não zera o remédio”, mas sim qual o risco infeccioso da cirurgia e o impacto clínico de suspender a medicação. Em cirurgias de pequeno porte, baixo risco infeccioso e sem outras complicações clínicas, em geral não se recomenda retirar o biológico, porque o risco de suspender pode ser maior do que o benefício esperado. Já em procedimentos mais invasivos, com maior risco de infecção ou em pacientes com fatores associados de pior cicatrização, a conduta costuma ser mais cautelosa e individualizada, muitas vezes com planejamento da suspensão conforme a meia-vida e o tipo de agente. Isso vale especialmente para fármacos usados em doenças reumatológicas e inflamatórias, como anti-TNF, tocilizumabe e abatacepte. O ponto da questão é justamente esse: nem todo biológico precisa ser suspenso sempre. A banca quer que você perceba a lógica de estratificar risco cirúrgico e clínico, em vez de decorar uma regra universal que não existe. Em provas e na prática, essa abordagem é a mais coerente com a doutrina de perioperatório em pacientes imunossuprimidos. Portanto, a alternativa correta é a que afirma que, em cirurgias de baixo risco infeccioso, de pequeno porte e sem outras complicações clínicas, não há necessidade de retirada dos biológicos.