Uma doença inflamatória que acomete inicialmente as articulações sacro-ilíacas de maneira bilateral, de início insidioso com limitação progressiva da movimentação da coluna lombar, esqueleto axial e quadris, podendo vir acompanhada de uveíte. Nas formas mais tardias pode apresentar, ao exame radiográfico, imagem denominada “coluna em bambu”. Tendo alta associação com o antígeno HLA-B27, porém sem positividade para o fator reumatoide e anticorpos antinucleares. Assinale a opção que a indica.
- A)Síndrome de Reiter.
Errada, porque a síndrome de Reiter é uma forma de artrite reativa, geralmente pós-infecciosa, e não o quadro clássico de sacroileíte bilateral com coluna em bambu.
- B)Lúpus eritematoso sistêmico.
Errada, pois o lúpus pode ter artrite e FAN positivo, mas não costuma dar esse padrão típico de espondiloartrite axial com HLA-B27 e sacroileíte inicial.
- C)Artropatia gotosa.
Errada, já que a gota costuma causar crises agudas de artrite por depósito de urato, geralmente em articular periférica, e não esse curso axial progressivo.
- D)Hemofilia.
Errada, porque hemofilia causa hemartroses e complicações articulares por sangramento, sem o padrão inflamatório axial descrito no enunciado.
- E)Espondilite anquilosante.
Certa, pois a espondilite anquilosante cursa com sacroileíte bilateral, rigidez lombar progressiva, HLA-B27 frequentemente positivo, uveíte e coluna em bambu nas fases tardias.
Gabarito: E
A descrição é clássica de espondilite anquilosante, uma doença inflamatória crônica do grupo das espondiloartrites. Ela costuma começar de forma insidiosa, atingindo primeiro as articulações sacro-ilíacas de modo bilateral, e depois vai limitando a mobilidade da coluna lombar, do esqueleto axial e dos quadris. O paciente vai ficando mais rígido aos poucos, como se a coluna fosse perdendo a capacidade de “desentortar”. Um detalhe bem cobrado é a associação com HLA-B27, que aparece em muitos casos, mas não é obrigatória para o diagnóstico. Também é típico o fato de não haver fator reumatoide nem FAN positivos, o que ajuda a diferenciar de doenças autoimunes como artrite reumatoide e lúpus. A uveíte anterior aguda pode acompanhar o quadro e, em fases tardias, a radiografia pode mostrar a famosa “coluna em bambu”, por sindesmófitos e anquilose vertebral. Por isso, a alternativa correta é a espondilite anquilosante. Em prova, a banca gosta de misturar sinais de espondiloartrite com outras doenças reumatológicas, então vale decorar o combo: sacroileíte bilateral, dor lombar inflamatória, rigidez progressiva, HLA-B27 e ausência de FR/FAN. Como referência doutrinária, isso corresponde ao quadro clássico descrito nos critérios e na abordagem das espondiloartrites soronegativas, amplamente aceitos na reumatologia, ainda que a confirmação diagnóstica dependa da clínica e dos achados de imagem, especialmente de sacroileíte.