O envelhecimento da população é o fator que mais preocupa as autoridades governamentais no presente século. Em 1950, o percentual de maiores de 60 anos era de 8,2%; em 2000, de 10%. As projeções feitas para 2050 mostram que o planeta abrigará 21,1% de pessoas idosas. No Brasil, os índices são similares: em 1950, 4,9%; em 2000, 7,8%; para 2050 estima-se a impressionante cifra de 23,6% de idosos presentes no convívio social. Considerando as demandas assistenciais em saúde para a pessoa idosa com diversas doenças crônicas, assinale a opção que descreve a condição com maior motivação para abordagem em cuidados paliativos.
- A)Insuficiência renal dialítica, infecção urinária, PPS 70% e ESAS 0.
Errada, porque PPS 70% e ESAS 0 sugerem bom estado funcional e ausência de sintomas relevantes, apesar das doenças crônicas.
- B)DPOC, dispneia leve, PPS 70% e ESAS 3.
Errada, porque dispneia leve e ESAS 3 indicam sintomas leves, sem o grau de sofrimento que mais motiva cuidados paliativos.
- C)Demência avançada, delirium hiperativo, PPS 60% e ESAS 7.
Certa, porque demência avançada, delirium hiperativo, PPS 60% e ESAS 7 mostram alta carga de sintomas, fragilidade e forte indicação de abordagem paliativa.
- D)Câncer de próstata, dor controlada, PPS 60% e ESAS 1.
Errada, porque dor controlada, PPS 60% e ESAS 1 apontam baixa intensidade sintomática no momento.
- E)ICC, dispneia somente ao esforço moderado, PPS 60% e ESAS 2.
Errada, porque ICC com dispneia apenas ao esforço moderado, PPS 60% e ESAS 2 ainda não traduzem sofrimento sintomático importante.
Gabarito: C
Em cuidados paliativos, a pergunta central não é apenas qual doença a pessoa tem, mas sim o quanto essa doença já está causando sofrimento, perda funcional e risco de piora no curto prazo. Em geriatria, isso pesa ainda mais, porque muitos idosos vivem com multimorbidade e o objetivo deixa de ser “curar a qualquer custo” e passa a ser aliviar sintomas, preservar dignidade e apoiar família e equipe. Na prática, sinais como demência avançada, delirium, declínio funcional importante e sintomas moderados ou intensos chamam muito mais atenção do que diagnósticos isolados com quadro estável. Ferramentas como PPS (Palliative Performance Scale) ajudam a estimar funcionalidade e prognóstico: quanto menor o PPS, maior a necessidade de discutir cuidados paliativos. Além disso, escalas de sintomas, como a ESAS, mostram a carga sintomática do paciente. A alternativa C é a que mais aponta para essa necessidade: demência avançada é uma condição tipicamente associada a perda de autonomia, pior prognóstico e necessidade frequente de cuidados paliativos; delirium hiperativo sugere sofrimento agudo importante; e um ESAS 7 indica alta carga de sintomas. Ou seja, há sofrimento relevante, fragilidade e forte motivação para abordagem paliativa. As demais opções trazem quadros clínicos com menor carga sintomática ou melhor controle dos sintomas, o que reduz a urgência de uma abordagem paliativa mais intensa. Na lógica dos cuidados paliativos, não basta ter doença crônica: é preciso haver sofrimento, declínio funcional e necessidade concreta de controle de sintomas.