Após o início e estabilização de uma CEC normotérmica o perfusionista coletou amostra de sangue arterial para realização de gasometria, cujos valores de PO₂ e PCO₂ foram respectivamente 90 mmHg e 36 mmHg. Nesse caso, a conduta adequada é
- A)aumentar a FiO₂ no oxigenador.
Correta, porque a PO2 está baixa e a correção deve ser feita aumentando a FiO2 no oxigenador.
- B)reduzir a FiO₂ no oxigenador.
Errada, porque reduzir a FiO2 pioraria ainda mais a oxigenação arterial.
- C)aumentar o fluxo de gás no oxigenador.
Errada, porque aumentar o fluxo de gás atua principalmente na remoção de CO2, não na elevação da PO2.
- D)reduzir o fluxo de gás no oxigenador.
Errada, porque reduzir o fluxo de gás tenderia a reter CO2, sem resolver a PO2 baixa.
- E)reduzir a FiO₂ e aumentar o fluxo de gás no oxigenador.
Errada, porque mistura dois ajustes em direções opostas sem indicação: reduzir FiO2 piora a oxigenação e aumentar o fluxo de gás mexe no CO2.
Gabarito: A
Na circulação extracorpórea (CEC), a gasometria arterial serve para ajustar duas coisas principais: a oxigenação e a eliminação de CO2. Em geral, a FiO2 do oxigenador mexe mais com a PO2, enquanto o fluxo de gás (sweep gas) mexe mais com a PCO2. É o clássico da perfusão: um botão para cada problema. Neste caso, a PCO2 de 36 mmHg está dentro da faixa adequada para uma CEC normotérmica, então o CO2 não pede correção. Já a PO2 de 90 mmHg está abaixo do que costuma ser desejado durante a CEC, quando se espera uma oxigenação arterial mais alta. Se a PO2 está baixa, a conduta é aumentar a FiO2 no oxigenador. Por isso o gabarito é a alternativa A. A lógica é direta: oxigenação ruim pede mais oxigênio no gás do oxigenador; CO2 fora da meta é que levaria ao ajuste do fluxo de gás. Em perfusão, acertar isso é quase regra de ouro.