Uma criança em idade pré-escolar, apresenta-se com obesidade central, hipertricose, fácies em lua cheia, hipertensão arterial, velocidade de crescimento baixa e baixa estatura. A principal hipótese diagnóstica é
- A)hipotireoidismo.
Hipotireoidismo pode causar ganho de peso e baixa estatura, mas não costuma produzir fácies em lua cheia, hipertricose e hipertensão desse jeito.
- B)síndrome de Cushing.
Correta: o conjunto de obesidade central, fácies em lua cheia, hipertricose, hipertensão e baixa velocidade de crescimento é típico de síndrome de Cushing.
- C)pseudo hipoparatireoidismo.
Pseudohipoparatireoidismo se relaciona mais com resistência ao PTH e alterações metabólicas/calcêmicas, não com esse padrão clínico de hipercortisolismo.
- D)deficiência de hormônio de crescimento.
Deficiência de hormônio de crescimento leva a baixa estatura e menor velocidade de crescimento, mas não costuma causar obesidade central com hipertensão e fácies cushingoide.
- E)obesidade por excesso de ingesta calórica.
Obesidade por excesso calórico pode dar aumento de peso, mas não explica a combinação de baixa estatura, hipertensão e sinais fenotípicos típicos de cortisol alto.
Gabarito: B
A criança com obesidade central, fácies em lua cheia, hipertensão, hipertricose e baixa velocidade de crescimento acende uma luz vermelha clássica: excesso de cortisol. Em pediatria, isso é muito sugestivo de síndrome de Cushing, porque o cortisol em excesso faz a gordura se distribuir de forma central, deixa a face arredondada, pode aumentar pelos e ainda atrapalha o crescimento linear. Ou seja, a criança até pode ganhar peso, mas cresce mal - um detalhe que ajuda muito na prova. Esse ponto é importante porque nem toda obesidade infantil é igual. Na obesidade simples por excesso de ingestão calórica, o ganho de peso costuma vir sem os sinais típicos de hipercortisolismo, e a estatura geralmente não cai de forma tão marcante. Já no Cushing, o corpo vai acumulando características bem características, como hipertensão, face arredondada e desaceleração do crescimento. A síndrome de Cushing pode ser endógena, por produção excessiva de cortisol pelo organismo, ou exógena, pelo uso prolongado de corticoide. Na prática de prova, quando aparecem obesidade central + baixa estatura + hipertensão + fácies em lua cheia, pense primeiro em hipercortisolismo. É o tipo de quadro que faz o pediatra desconfiar antes mesmo do exame complementar. Portanto, o gabarito é a letra B porque reúne exatamente o conjunto de sinais típico da síndrome de Cushing. As outras alternativas não explicam bem a combinação de obesidade central com hipertensão e crescimento reduzido, que é o trio que praticamente denuncia o diagnóstico.