Paciente sexo masculino, tabagista, etilista, com lesão ulceroinfiltrante na borda lateral da língua com 3,5cm em seu maior diâmetro e com pescoço clinicamente negativo. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
- A)Trata-se, provavelmente de um carcinoma epidermoide, de língua, T1N0M0, cujo tratamento indicado é a glossectomia com esvaziamento cervical supraomohioideo.
Errada: 3,5 cm não é T1, e em língua oral o N0 clínico ainda justifica esvaziamento cervical eletivo, mas o estadiamento está incorreto.
- B)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua, T2N0M0, cujo tratamento indicado é a glossectomia com esvaziamento cervical lateral.
Errada: o tumor até pode ser T2N0M0, mas esvaziamento cervical lateral não é o padrão para N0 em câncer de língua oral.
- C)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua, T2N0M0, cujo tratamento indicado é glossectomia com esvaziamento cervical supraomohioideo.
Certa: lesão de 3,5 cm em língua corresponde a T2, com pescoço clinicamente negativo e indicação de glossectomia associada a esvaziamento supraomohioideo.
- D)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua, T2N0M0, cujo tratamento indicado é glossectomia simples.
Errada: glossectomia simples é insuficiente, porque não contempla o tratamento eletivo do pescoço, importante pelo risco de metástase oculta.
- E)Trata-se, provavelmente, de um carcinoma epidermoide de língua, T2N0M0, cujo tratamento indicado é glossectomia com esvaziamento cervical radical clássico.
Errada: esvaziamento radical clássico é excessivo para pescoço clinicamente negativo; além disso, não é a conduta de escolha de rotina nesses casos.
Gabarito: C
Lesão ulceroinfiltrante em borda lateral da língua, em paciente tabagista e etilista, faz pensar primeiro em carcinoma epidermoide de cavidade oral. Na prática de prova, esse é o clássico câncer de “boca de risco”: história clínica sugestiva + aspecto infiltrativo + localização típica. O tamanho também manda muito aqui: 3,5 cm coloca o tumor como T2, porque em cavidade oral T1 vai até 2 cm e T2 vai de mais de 2 cm até 4 cm. Com pescoço clinicamente negativo, ainda assim não dá para “confiar no pescoço” e sair sem tratar. Em carcinoma de língua oral, o risco de metástase oculta é relevante, então o tratamento cirúrgico costuma incluir abordagem da língua e esvaziamento cervical eletivo dos níveis mais prováveis de drenagem. O esvaziamento indicado é o supraomohioideo, que corresponde ao esvaziamento cervical seletivo dos níveis I, II e III. Por isso, o gabarito C está correto: trata-se provavelmente de carcinoma epidermoide de língua, T2N0M0, com glossectomia associada a esvaziamento cervical supraomohioideo. Isso é bem alinhado com a lógica cirúrgica oncológica da cavidade oral: lesão pequena-média, N0 clínico, mas com necessidade de tratar o pescoço de forma eletiva. As demais opções tropeçam em pontos clássicos de prova: erro de estadiamento pelo tamanho, tipo de esvaziamento inadequado ou cirurgia insuficiente para um tumor com risco de disseminação linfonodal oculta.