Lactente de 45 dias de vida, sexo masculino, com história de respiração rápida e difícil há 15 dias segundo a mãe. Nega febre ou tosse. Ao exame físico era eutrófico e encontrava-se taquipneico (FR: 64 ipm) e com retração subcostal e tiragem intercostal. À ausculta apresentava sibilos e diminuição do murmúrio vesicular no lobo envolvido. Nasceu de parto normal com 3500g e 50 cm, Apgar 9/9. Nega cianose. Alta com 2 dias. Durante a consulta, no setor de emergência foi solicitada radiografia de tórax que evidenciou distensão do lobo superior esquerdo e herniação pulmonar, com desvio mediastinal contralateral e compressão dos demais lobos pulmonares. Assinale a opção que indica o diagnóstico provável.
- A)Pneumotórax ou enfisema pulmonar intersticial localizado.
Errada, porque pneumotórax ou enfisema intersticial localizado não explicam tão bem a hiperinsuflação lobar com herniação e compressão dos demais lobos descritas na radiografia.
- B)Corpo estranho.
Errada, pois corpo estranho é menos provável em um lactente tão pequeno e não costuma produzir esse padrão radiológico típico de hiperinsuflação congênita.
- C)Enfisema lobar congênito.
Certa, porque o quadro clínico e a radiografia são clássicos de enfisema lobar congênito, com distensão de lobo, desvio mediastinal e compressão das estruturas vizinhas.
- D)Síndrome de Swyer-James-McLeod.
Errada, porque a síndrome de Swyer-James-McLeod é uma doença pós-infecciosa, geralmente mais tardia, e não uma apresentação neonatal com hiperinsuflação lobar congênita.
- E)Malformação adenomatóide cística.
Errada, porque a malformação adenomatóide cística costuma se manifestar como lesão cística pulmonar, e não como hiperinsuflação de lobo com herniação pulmonar.
Gabarito: C
Em lactente pequeno, taquipneia persistente, tiragem, sibilos localizados e diminuição do murmúrio vesicular em um lobo fazem pensar em causa obstrutiva ou malformação pulmonar. O detalhe que pesa muito aqui é a radiografia: hiperinsuflação de um lobo, herniação do parênquima para os espaços vizinhos, desvio do mediastino para o lado oposto e compressão dos demais lobos. Esse desenho é bem clássico de enfisema lobar congênito, uma hiperinsuflação focal por alteração da arquitetura brônquica ou da cartilagem do brônquio, causando aprisionamento de ar sem febre e sem história infecciosa. Em outras palavras, o pulmão fica “preso no modo inspirar”, como um balão que enche demais e começa a empurrar tudo ao redor. O enfisema lobar congênito costuma aparecer nas primeiras semanas ou meses de vida com desconforto respiratório progressivo. O lobo mais acometido é o lobo superior esquerdo, exatamente como no enunciado. Ao exame, pode haver assimetria ventilatória, hiperinsuflação e sinais de compressão das estruturas adjacentes. A conduta depende da gravidade, variando de observação a cirurgia quando há grande repercussão respiratória. As alternativas erradas tentam confundir com doenças que também podem dar hipertransparência no tórax, mas com outros padrões. Pneumotórax tem colapso pulmonar e linha pleural, corpo estranho costuma ter história mais sugestiva e broncoobstrução focal, síndrome de Swyer-James-McLeod é sequelar pós-infecciosa e malformação adenomatóide cística aparece como lesão cística, não como hiperinsuflação lobar com herniação. O raciocínio aqui é mais imagem + idade + clínica do que “chute pelo sibilo”.