A respeito de um paciente com quadro de cefaleia intensa, seguida de ptose palpebral e midríase ipsilateral, suspeita-se de sangramento de um aneurisma comprimindo a(s) estrutura(s)
- A)III nervo craniano.
Correta: a compressão do III nervo craniano explica ptose palpebral e midríase ipsilateral, quadro típico de aneurisma com efeito compressivo.
- B)III e IV.
Errada: o IV nervo craniano não causa midríase nem ptose, pois sua função principal é no músculo oblíquo superior.
- C)II, III e IV.
Errada: o II, III e IV não formam o padrão clínico descrito, e o II nervo está relacionado à visão, não à midríase ou ptose.
- D)III, IV e V1.
Errada: o V1 pode cursar com dor frontal e sensibilidade corneana alterada, mas não explica a combinação de ptose e midríase.
- E)II, IV, V1.
Errada: o II, IV e V1 não justificam o conjunto de sinais autonômicos e motores típico de lesão do III nervo craniano.
Gabarito: A
Quando um aneurisma intracraniano rompe ou comprime estruturas vizinhas, ele pode dar sinais de compressão de nervos cranianos antes mesmo de aparecer no exame de imagem. No caso clássico de cefaleia intensa seguida de ptose palpebral e midríase ipsilateral, o quadro aponta para comprometimento do III nervo craniano (oculomotor), que leva fibras parassimpáticas responsáveis pela constrição pupilar e fibras motoras para a elevação da pálpebra. A lógica clínica aqui é bem característica: dor forte + olho com pupila dilatada + ptose = pense em lesão do III par, muitas vezes por aneurisma da comunicante posterior. Isso acontece porque as fibras pupilares ficam mais superficiais no nervo e costumam ser comprimidas primeiro, então a midríase aparece cedo e chama atenção. Se fosse uma paralisia do III sem compressão pupilar, você pensaria em outras causas, como isquemia microvascular, mais comum em pacientes com diabetes e hipertensão. Mas, quando a pupila entra na história, a suspeita de compressão externa sobe muito no ranking. Aqui a banca quer justamente essa associação anatômica clássica. Portanto, o gabarito A está correto porque o aneurisma está comprimindo o III nervo craniano, explicando ptose e midríase ipsilateral. É um daqueles casos em que a semiologia entrega o endereço da lesão sem precisar de GPS.