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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Sobre possíveis disfunções e/ou pseudodisfunções dos marcapassos cardíacos, relacione cada tipo à sua respectiva definição. 1. Oversensing. 2. Undersensing. 3. Perda de captura. 4. Batimentos de fusão. 5. Batimentos de pseudofusão. ( ) Incapacidade de reconhecimento da despolarização espontânea. Pode ocorrer por programação inadequada ou por modificações da captação do sinal intrínseco. ( ) Incapacidade do marcapasso em provocar despolarização tecidual (átrio ou ventrículo). Pode ocorrer por aumento do limiar de estimulação, disfunção do eletrodo, disfunção do gerador, e erro de programação. ( ) Identificação equivocada de um sinal elétrico que não corresponde à despolarização da câmara relacionada. ( ) Ativação artificial do tecido cardíaco de forma simultânea à despolarização espontânea, provocando complexos híbridos. ( ) Ativação espontânea do tecido cardíaco, simultânea à emissão de espícula que não tem efeito sobre o QRS ou a onda P. Assinale a opção que mostra a relação correta, segundo a ordem apresentada.

Gabarito: C

Em marcapasso, o segredo é separar bem o que o aparelho "vê" e o que ele "faz". Quando ele não reconhece a atividade elétrica própria do coração, temos undersensing: o estímulo espontâneo passa batido. Quando ele reconhece coisa demais, detectando sinal que nem é da câmara em questão, isso é oversensing, como se o marcapasso fosse um segurança ansioso demais. Outra falha importante é a perda de captura: a espícula aparece, mas não consegue despolarizar átrio ou ventrículo. Isso pode acontecer por aumento do limiar, problema no eletrodo, no gerador ou por erro de programação. Já os batimentos de fusão e pseudofusão são pseudodisfunções, porque o marcapasso até participa do evento, mas o traçado não traduz necessariamente uma falha verdadeira do sistema. Na fusão, há ativação artificial e espontânea ao mesmo tempo, gerando um complexo híbrido. Na pseudofusão, o coração se despolariza espontaneamente no mesmo instante em que sai a espícula, mas essa espícula não muda o QRS ou a onda P. É aquela espícula decorativa: aparece, mas não manda em nada. Por isso, a sequência correta é: incapacidade de reconhecimento da despolarização espontânea = undersensing (2), incapacidade de provocar despolarização = perda de captura (3), identificação equivocada de sinal = oversensing (1), ativação simultânea com complexo híbrido = fusão (4), e atividade espontânea com espícula sem efeito = pseudofusão (5). Logo, o gabarito é C.

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