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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Para um paciente atendido no serviço de emergência com fibrilação atrial, em qual das circunstâncias abaixo é mais apropriada realizar a cardioversão antes da coagulação?

Gabarito: E

Na fibrilação atrial, a decisão entre cardioversão imediata e anticoagulação depende sobretudo do tempo de início do episódio e do risco tromboembólico do paciente. A ideia é simples: se a arritmia já dura mais de 48 horas, ou se o tempo é incerto, o átrio pode ter formado trombos, e mexer no ritmo antes de proteger o paciente pode virar um problema. Nesses casos, a conduta costuma exigir anticoagulação antes e depois da cardioversão, salvo situações de emergência muito específicas. Quando o episódio tem menos de 48 horas de início, o paciente não tem valvopatia, e não está em alto risco de tromboembolismo, a cardioversão pode ser feita antes da anticoagulação. Isso acontece porque, nesse cenário, o risco de trombo já existente é bem menor, então a restauração do ritmo não precisa esperar a coagulação. É o tipo de situação em que a emergência agradece a objetividade. A lógica por trás disso aparece nas diretrizes de fibrilação atrial da ACC/AHA e da ESC: para FA com menos de 48 horas e baixo risco tromboembólico, a cardioversão precoce é aceitável; já em FA com mais de 48 horas ou duração desconhecida, recomenda-se anticoagulação adequada antes do procedimento ou estratégia guiada por ecocardiograma transesofágico. Por isso o gabarito é a letra E. Ela reúne exatamente os elementos que permitem cardioversão antes da anticoagulação: início recente, ausência de doença valvar e ausência de alto risco emboligênico.

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