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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Homem de 33 anos, diagnosticado com cardiomiopatia hipertrófica septal obstrutiva, procurou serviço de emergência referindo palpitações taquicárdicas associadas a desconforto torácico leve. Manteve estabilidade hemodinâmica durante todo o episódio. Eletrocardiograma realizado demonstra taquiarritmia regular com complexos QRS alargados e frequência de 172bpm. No diagnóstico diferencial das taquiarritmias de QRS largo, assinale o achado eletrocardiográfico que corroboraria o diagnóstico de taquicardia supraventricular com aberrância de condução.

Gabarito: B

Taquicardia de QRS largo assusta, mas o raciocínio é sempre o mesmo: primeiro pense se o impulso nasceu acima dos ventrículos e depois “vestiu” um bloqueio de ramo, ou se veio direto do ventrículo, como na taquicardia ventricular. Em alguém estável, o ECG ajuda muito, mas alguns sinais puxam mais para um lado do que para o outro. Na taquicardia supraventricular com aberrância de condução, o ponto de partida é supraventricular, ou seja, o circuito começa nos átrios ou no nó AV. Por isso, um achado que favorece esse diagnóstico é a presença de uma onda P prematura no início da taquicardia, mostrando que houve um estímulo atrial antecipado disparando o ritmo rápido. Já os achados de forte “cara” de taquicardia ventricular incluem dissociação A-V, batimentos de fusão, concordância nas precordiais e desvio importante do eixo. Quando essas pistas aparecem, a chance de origem ventricular sobe bastante. Em cardiomiopatia hipertrófica, esse cuidado é ainda maior, porque a arritmia ventricular é sempre uma possibilidade séria. Então o gabarito é a letra B: início da taquicardia com onda P prematura. Ela aponta para um mecanismo supraventricular, com condução aberrante explicando o QRS largo. É o tipo de detalhe que faz o ECG “contar a história” em vez de só mostrar um amontoado de complexos largos.

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