Paciente de 53 anos, sexo masculino, fumante, hipertenso, dá entrada na sala de emergência com quadro de dor de início súbito no membro inferior direito. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca = 85 bpm, frequência respiratória = 22 irpm, Sat O₂ 99%. Observa-se palidez e frialdade da perna direita, com pulsos femorais amplos e simétricos. Os pulsos poplíteos encontram-se assimétricos, não palpável à direita. Pulsos podálicos esquerdos amplos mas ausentes à direita. Além da dor, mesmo em repouso, repara-se alteração na dorsiflexão do pé direito. Realizado o Eco Color Doppler Arterial (Duplex Scan), observa-se: oclusão de artéria poplítea direita. No Doppler Venoso, não há alterações. Com os dados acima, a posição do paciente na Classificação de Rutherford e o tratamento a ser indicado são, respectivamente,
- A)I, membro viável, heparinização plena.
Errada, porque Rutherford I é membro viável, sem déficit neurológico e sem ameaça imediata, o que não combina com a alteração motora descrita.
- B)IIa, membro em risco potencial, heparinização plena.
Errada, porque Rutherford IIa ainda não tem déficit motor, e aqui já existe alteração de dorsiflexão, indicando quadro mais grave.
- C)IIb, membro em risco imediato, intervenção cirúrgica.
Certa, porque o quadro é Rutherford IIb, com membro ameaçado imediatamente e necessidade de reperfusão cirúrgica urgente.
- D)III, membro já inviável, indicada amputação.
Errada, porque Rutherford III é isquemia irreversível, geralmente com anestesia completa e rigidez, o que não foi o caso.
- E)I, membro já inviável, heparinização plena.
Errada, porque membro inviável não corresponde ao estágio I, e heparinização isolada não resolve um quadro com déficit motor.
Gabarito: C
A isquemia aguda de membro inferior é uma emergência vascular: pense em início súbito de dor, palidez, frialdade e perda de pulsos. A classificação de Rutherford ajuda a decidir a conduta rapidamente, separando o membro viável, o ameaçado e o já irreversível. Na prática, quanto mais déficit neurológico e motor, mais grave é a situação. No caso, o paciente tem dor súbita, perna fria e pálida, pulsos distais ausentes e, o detalhe decisivo, alteração da dorsiflexão do pé. Isso já mostra comprometimento motor, o que afasta o estágio IIa e coloca o quadro como Rutherford IIb, ou seja, membro em risco imediato. Não é hora de observar com calma: é hora de agir. A conduta inicial costuma incluir anticoagulação com heparina, mas isso não resolve sozinho um membro com ameaça imediata. Em Rutherford IIb, a reperfusão deve ser urgente, geralmente por intervenção cirúrgica aberta ou endovascular, conforme a anatomia e a disponibilidade do serviço. Se você lembrar da lógica da classificação, fica fácil: VIÁVEL observa, AMEAÇADO corre para revascularizar, IRREVERSÍVEL pensa em amputação. Por isso o gabarito é a letra C. O paciente está em Rutherford IIb e precisa de intervenção cirúrgica imediata, porque já há déficit motor, sinal de sofrimento mais avançado do membro.