Com relação ao tratamento cirúrgico de lesões metastáticas para o pulmão, assinale a afirmativa incorreta.
- A)É possível o tratamento das metástases bilaterais.
Certa, pois metástases pulmonares bilaterais podem ser abordadas cirurgicamente em casos selecionados, se houver ressecabilidade completa.
- B)Quanto menor o intervalo livre de doença, melhor o prognóstico no tratamento das metástases pulmonares.
Errada, porque quanto menor o intervalo livre de doença, pior é o prognóstico; intervalo maior é o achado mais favorável.
- C)O número de metástases identificadas é critério usado, na indicação.
Certa, pois o número de metástases é um dos critérios usados na indicação cirúrgica, junto com ressecabilidade e controle da doença de base.
- D)Está indicado, se comprovado o controle da lesão primária.
Certa, porque o controle da lesão primária é requisito importante para considerar metastasectomia pulmonar.
- E)Pode ser usada como opção de tratamento em pacientes com lesões metastáticas já tratadas em outros órgãos.
Certa, pois a metastasectomia pode ser opção mesmo em pacientes que já trataram metástases em outros órgãos, desde que o caso siga selecionado.
Gabarito: B
A cirurgia das metástases pulmonares, em regra, é considerada quando existe doença primária controlada, possibilidade de ressecção completa e paciente com reserva funcional adequada. Não é um tratamento para "qualquer metástase", mas para casos selecionados, em que a cirurgia pode trazer ganho real de sobrevida e controle da doença. Na prática, entram na conta fatores como controle do tumor de origem, ausência de doença disseminada fora do que pode ser abordado, número de lesões, lateralidade e intervalo livre de doença. Um ponto clássico é que metástases bilaterais podem, sim, ser tratadas cirurgicamente em casos selecionados, seja em procedimentos em tempos diferentes, seja por acesso adequado, desde que haja possibilidade de ressecção completa. Também é possível indicar a cirurgia em pacientes que já trataram metástases em outros órgãos, se o cenário global continuar favorável e ainda houver chance de controle oncológico. O gabarito é a alternativa B porque o raciocínio está invertido: quanto menor o intervalo livre de doença, pior tende a ser o prognóstico, pois isso sugere tumor biologicamente mais agressivo e recorrência mais precoce. Em oncologia cirúrgica, intervalo livre maior costuma ser sinal mais favorável, não o contrário. Isso é compatível com a doutrina clássica de seleção para metastasectomia pulmonar e com a ideia de doença mais indolente como melhor candidata à cirurgia. Em resumo: a cirurgia pode entrar no jogo, mas só quando o cenário está bem escolhido. Aqui, a pegadinha foi tentar fazer você aceitar como fator favorável justamente um dado que, na verdade, pesa contra.