Homem, 32 anos, natural e residente no RJ, advogado, tabagista 13 maços/ano, queixando-se há 2 dias de fadiga, tosse com escassa expectoração clara, dispneia em repouso e sibilos torácicos. Crises se repetem desde adolescência seguida de períodos de calmaria e ausência de sintomas. Em relação ao diagnóstico mais provável e ao tratamento, respectivamente, assinale a afirmativa correta.
- A)Exacerbação de DPOC e iniciar antibioticoterapia e corticoide sistêmico.
Errada, porque DPOC não é o diagnóstico mais provável em um paciente jovem com crises desde a adolescência e períodos assintomáticos, além de antibiótico não ser tratamento obrigatório da exacerbação.
- B)Exacerbação de Doença Bronquiectásica e iniciar corticoide inalatório.
Errada, porque bronquiectasias costumam cursar com tosse crônica produtiva e infecções de repetição, e corticoide inalatório não é o tratamento da exacerbação.
- C)Exacerbação de Asma e iniciar antibioticoterapia e betaagonista de curta duração.
Errada, porque até acerta o diagnóstico de asma, mas antibiótico não faz parte do manejo padrão da exacerbação e falta a corticoterapia sistêmica.
- D)Exacerbação de fibrose pulmonar e iniciar corticoterapia sistêmica.
Errada, porque fibrose pulmonar não causa esse padrão de crises intermitentes com sibilância desde a adolescência, e o tratamento proposto não se encaixa no quadro.
- E)Exacerbação de asma e iniciar corticoterapia sistêmica e betaagonista de curta-duração.
Certa, porque o quadro é de exacerbação asmática e o manejo inicial inclui betaagonista de curta duração associado a corticoterapia sistêmica.
Gabarito: E
O quadro é bem típico de asma: crises desde a adolescência, com períodos longos sem sintomas, além de sibilância e dispneia com início agudo. Em geral, asma dá exatamente essa cara de doença “vai e volta”, enquanto DPOC costuma aparecer mais tarde, em fumante mais pesado e com sintomas mais contínuos. Na exacerbação asmática, o tratamento inicial é broncodilatador de curta duração, como betaagonista de curta ação por via inalatória, porque ele abre o brônquio rápido e alivia a crise. Junto disso, entra a corticoterapia sistêmica quando a crise é moderada ou grave, pois o corticoide reduz a inflamação e diminui o risco de piora e recaída. Antibiótico não é rotina na crise de asma. Ele só entra se houver forte suspeita de infecção bacteriana associada, o que não é o caso aqui, já que a expectoração é escassa e clara, sem sinais que apontem para infecção. Então, nada de “atirar antibiótico para todo lado”: em asma, o alvo principal é broncoespasmo + inflamação. Por isso, a alternativa correta é a que identifica exacerbação de asma e propõe corticoterapia sistêmica associada a betaagonista de curta duração. Esse é o tratamento padrão descrito nas diretrizes de asma, como GINA e protocolos clínicos usuais.