Sobre os tumores neuroendócrinos gástricos, assinale a afirmativa correta.
- A)Os de tipo I são geralmente múltiplos, situados em estômago atrófico, raramente invasivos e de prognóstico excelente.
Correta: o tipo I é tipicamente múltiplo, associado a estômago atrófico, pouco invasivo e com bom prognóstico.
- B)Os de tipo I devem ser tratados endoscopicamente, desde que menores que 5mm e em número inferior a 10 lesões.
Errada: o tratamento endoscópico pode ser indicado em lesões pequenas, mas o corte de 5 mm e menos de 10 lesões não é a regra clássica descrita para definir essa conduta.
- C)Os de tipo II costumam ser lesões múltiplas e são classicamente associados a anemia perniciosa.
Errada: o tipo II também costuma ser múltiplo, porém sua associação clássica é com MEN-1 e síndrome de Zollinger-Ellison, não com anemia perniciosa.
- D)Os de tipo III são geralmente únicos e em mais de 50% dos casos são metastáticos no momento do diagnóstico; estão associados à Síndrome de MEN-1.
Errada: o tipo III é geralmente único e mais metastático, mas não está associado à MEN-1; essa associação é do tipo II.
- E)Os tumores neuroendócrinos gástricos se originam na terceira camada e são hiperecoicos à ecoendoscopia.
Errada: esses tumores surgem de células neuroendócrinas da mucosa, e não da terceira camada, e a descrição ecográfica apresentada está incorreta.
Gabarito: A
Os tumores neuroendócrinos gástricos costumam ser divididos em três tipos clássicos, e a chave da questão está justamente em reconhecer o perfil clínico de cada um. O tipo I é o mais comum e aparece, em geral, em contexto de gastrite atrófica autoimune e hipergastrinemia, com lesões múltiplas, pequenas e de comportamento indolente. Por isso, o prognóstico costuma ser excelente, com baixa chance de invasão e metástase. O tipo II também costuma ser múltiplo, mas aqui a associação típica não é com anemia perniciosa e sim com síndrome de Zollinger-Ellison e MEN-1. Já o tipo III é o “vilão solitário”: costuma ser único, esporádico, mais agressivo e com maior risco de metástase já no diagnóstico. Ou seja, quando a banca mistura as associações, ela está tentando fazer você trocar o roteiro do filme na última cena. A alternativa A está correta porque descreve exatamente o tipo I: lesões geralmente múltiplas, em estômago atrófico, raramente invasivas e com excelente prognóstico. Esse é o padrão clássico ensinado em gastroenterologia e é o que guia a conduta mais conservadora na maioria desses casos. Na prática, o manejo costuma ser endoscópico em lesões pequenas e bem diferenciadas, com seguimento porque a recidiva pode acontecer. Vale lembrar um detalhe importante: os tumores neuroendócrinos gástricos se originam de células neuroendócrinas da mucosa, e não da terceira camada, como sugere a pegadinha. Ecoendoscopia ajuda na avaliação de profundidade e de linfonodos, mas o raciocínio principal aqui é clínico e histopatológico.