Jovem de 20 anos compareceu à consulta na unidade básica de saúde para realização de exame preventivo. Refere ter iniciado a vida sexual há 3 meses e ser portadora do vírus do HIV com CD4+ < 200 cel./mm3. De acordo com as diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero de 2016, a conduta a ser seguida é realizar a citologia oncótica
- A)aos 25 anos e depois anual.
Errada, porque o início aos 25 anos e repetição anual não corresponde ao rastreamento convencional nem ao protocolo específico para mulher com HIV.
- B)de imediato e repetir a cada 6 meses.
Certa, pois a mulher vivendo com HIV deve iniciar a citologia de imediato e repetir semestralmente, especialmente com CD4+ baixo.
- C)após a normalização dos níveis de CD4+.
Errada, porque o rastreamento do colo do útero não deve ser postergado até normalizar CD4+; a imunossupressão é justamente o motivo para começar antes.
- D)após o resultado de carga viral.
Errada, porque o rastreamento citológico não depende do resultado da carga viral para ser iniciado.
- E)após 1 ano de atividade sexual.
Errada, porque não se espera 1 ano de atividade sexual para iniciar o exame em mulher com HIV; o rastreio deve começar na consulta.
Gabarito: B
No rastreamento do câncer do colo do útero, a regra para a população geral é começar aos 25 anos, mas isso não vale para mulheres vivendo com HIV. Nesse grupo, a vigilância precisa ser mais cedo e mais apertada, porque a imunossupressão aumenta o risco de lesões precursoras e de evolução mais rápida. Em outras palavras: o colo do útero não espera a agenda da população geral para dar trabalho. Pelas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero de 2016, a mulher com HIV deve fazer citologia oncótica assim que ingressa no cuidado ginecológico, independentemente da idade e do tempo de vida sexual. Se o CD4+ estiver abaixo de 200 cel/mm³, como no caso, a atenção é ainda maior, mas a lógica continua sendo iniciar imediatamente o rastreio, e não adiar para depois de uma melhora imunológica. O rastreamento é mantido em intervalos semestrais inicialmente, devido ao maior risco de alterações citológicas e persistência de HPV. Por isso, a alternativa correta é a B: realizar a citologia oncótica de imediato e repetir a cada 6 meses. Essa conduta está alinhada ao protocolo brasileiro para mulheres com HIV, que não seguem o calendário do rastreamento convencional de risco habitual. Resumo prático para prova: população geral começa aos 25 anos; mulher com HIV começa na hora em que chega ao serviço e precisa de seguimento mais curto. Em prova, quando aparecer HIV + CD4 baixo, pense em rastreio antecipado, não em espera.