Considere uma paciente de 78 anos, com diagnóstico clínico de um tumor cT1cN0M0 à esquerda, luminal A, que realiza todas suas atividades diárias sem ajuda. É consciente e orientada e possui hipertensão arterial e dislipidemia controladas. Sobre o caso, assinale a afirmativa correta.
- A)A omissão de radioterapia adjuvante, se realizada cirurgia conservadora, diminui a sobrevida global após 5 anos.
Errada, porque a omissão de radioterapia após cirurgia conservadora pode aumentar recidiva local, mas não reduz de forma consistente a sobrevida global em 5 anos nesse perfil.
- B)É possível neste caso discutir a realização de cirurgia mamária conservadora com a omissão da biopsia de linfonodo sentinela intra-operatória.
Certa, porque em idosa funcional com tumor inicial, luminal A e axila clinicamente negativa, é possível discutir omitir a biópsia do linfonodo sentinela.
- C)Deve ser tratada com mastectomia e biópsia de linfonodo sentinela para evitar a realização da radioterapia adjuvante.
Errada, porque mastectomia não é obrigatória para evitar radioterapia, e a escolha deve ser individualizada conforme risco e preferência da paciente.
- D)Não devemos considerar o uso de terapia endócrina adjuvante com inibidor de aromatase ou tamoxifeno
Errada, porque a terapia endócrina adjuvante segue indicada em tumor luminal A, com tamoxifeno ou inibidor de aromatase conforme o caso.
- E)A reconstrução mamária neste caso está proscrita, devido à idade e comorbidades.
Errada, porque idade e comorbidades controladas não proíbem reconstrução mamária; a decisão depende do estado geral e da vontade da paciente.
Gabarito: B
Em oncologia mamária, a idade sozinha não decide tudo. O que manda é o conjunto: estágio, biologia do tumor, condição funcional e expectativa de benefício real para a paciente. Aqui, trata-se de uma mulher de 78 anos, lúcida, independente, com tumor pequeno, sem linfonodos clinicamente comprometidos, luminal A e comorbidades controladas. Isso descreve uma paciente idosa, mas funcionalmente boa, com doença de baixo risco biológico. Nesse cenário, a literatura e recomendações de prática clínica aceitam discutir cirurgia conservadora da mama com de-escalonamento de procedimentos axilares. Em especial, em pacientes idosas com câncer de mama inicial, receptor hormonal positivo e axila clinicamente negativa, a biópsia do linfonodo sentinela pode ser omitida quando o resultado dificilmente mudará a conduta e a paciente será tratada com terapia endócrina. A lógica é simples: menos cirurgia, menos morbidade, sem perder benefício relevante em sobrevida para esse perfil. É exatamente por isso que a alternativa B é a correta. Ela não diz que a biópsia sentinela é proibida, mas que é possível discutir sua omissão. Em concurso, essa nuance é valiosa: em oncologia do idoso, frequentemente a resposta certa está na personalização e não no reflexo de fazer tudo para todo mundo. A tendência atual é evitar excessos terapêuticos quando o ganho é mínimo e o custo funcional é alto. Vale lembrar também que a omissão de radioterapia após cirurgia conservadora em mulheres mais idosas com tumor hormônio-positivo pode aumentar recidiva local, mas não necessariamente reduz sobrevida global em estudos clássicos. Então a questão não está pedindo um tratamento padrão rígido, e sim a conduta que pode ser discutida com segurança nesse perfil de baixo risco.