Homem de 36 anos, residente em zona rural, procura atendimento médico em razão de dispneia e bradicardia. Após realizar a anamnese, exame físico e eletrocardiograma, o médico suspeita tratar-se de cardiopatia chagásica crônica porque o paciente apresenta as seguintes características clínicas próprias dessa enfermidade:
- A)isquemia e insuficiência cardíacas;
Errada, porque isquemia cardíaca não é a característica típica da cardiopatia chagásica crônica, embora a insuficiência cardíaca possa ocorrer.
- B)distúrbio de condução e isquemia cardíaca;
Errada, porque distúrbio de condução é típico, mas isquemia cardíaca não é o achado clássico esperado na doença de Chagas.
- C)hipertensão arterial pulmonar e arritmia cardíaca;
Errada, porque hipertensão arterial pulmonar não é a marca principal da cardiopatia chagásica crônica, apesar de arritmias poderem ocorrer.
- D)insuficiência cardíaca e distúrbio de condução;
Certa, porque a cardiopatia chagásica crônica cursa classicamente com insuficiência cardíaca e distúrbios de condução.
- E)pericardite com restrição diastólica e arritmia cardíaca.
Errada, porque pericardite com restrição diastólica não é o padrão típico da doença de Chagas crônica, embora arritmias sejam frequentes.
Gabarito: D
A cardiopatia chagásica crônica é uma sequela clássica da infecção por Trypanosoma cruzi, muito lembrada em pacientes de área rural e com sinais de arritmia, bradicardia ou insuficiência cardíaca. O coração chagásico costuma “falhar” em dois pontos bem típicos: o sistema de condução e a função de bomba. Por isso, o ECG pode mostrar bloqueios, bradicardia e outros distúrbios de condução, enquanto a clínica pode evoluir com dispneia e sinais de insuficiência cardíaca. Na prática, o que mais cai em prova é essa dupla: arritmias/distúrbios de condução e insuficiência cardíaca. A doença pode causar bloqueio de ramo, bloqueio AV, extrassístoles e até taquiarritmias graves, além de cardiomiopatia dilatada com baixo débito. É uma cardiopatia muito mais elétrica e de falência miocárdica do que de isquemia coronariana típica. Por isso, o gabarito D está correto: insuficiência cardíaca e distúrbio de condução são características bem próprias da cardiopatia chagásica crônica. A FGV adora cobrar esse padrão clínico, associando paciente de área endêmica com bradicardia, alterações no ECG e dispneia. Em resumo: se a história sugere Chagas crônica, pense logo em bloqueios de condução, arritmias e insuficiência cardíaca. É o coração ficando “desorganizado” eletricamente e “cansado” mecanicamente.