Paciente percebe ao acordar, dor tipo pontada em ambos os pés. Devido à pandemia deixou de frequentar a academia, passou a usar sandálias e sapatos com pouca sola e a fazer corridas no calçadão. A dor melhorava quando começava a andar, desaparecia durante o exercício, mas retornava ao final do dia. Procurou o posto de saúde e ao exame físico só apresentava dor a palpação da sola do calcanhar e o exame radiográfico foi normal. O melhor diagnóstico é
- A)Fibromatose plantar.
Fibromatose plantar costuma causar nódulos na fáscia, não esse padrão típico de dor matinal no calcâneo.
- B)Deformidade de Haglung.
A deformidade de Haglund é uma proeminência óssea posterior no calcâneo, geralmente com dor retrocalcânea e atrito com o calçado.
- C)Fratura por estresse.
Fratura por estresse costuma ter história de sobrecarga, mas a dor e o exame descritos são mais compatíveis com fáscia plantar, além de o raio-X inicial poder ser normal.
- D)Fascite plantar.
Correta, porque a dor ao primeiro passo da manhã, a melhora com a caminhada e a dor à palpação da sola do calcanhar são achados clássicos de fascite plantar.
- E)Neuroma de Morton.
Neuroma de Morton causa dor no antepé, geralmente entre os metatarsos, e não dor plantar no calcâneo.
Gabarito: D
A história clínica aqui é quase um cartaz clássico de fascite plantar. O sinal mais típico é a dor no calcanhar ao primeiro apoio da manhã, como se o pé “reclamasse” de voltar a funcionar depois de horas parado. Em geral, a dor melhora quando você começa a caminhar e a fascia aquece, mas pode reaparecer no fim do dia depois de sobrecarga repetida. O quadro costuma aparecer em quem aumentou impacto nas atividades, usa calçados pouco amortecidos ou passou a correr/caminhar mais do que o pé estava acostumado. Ao exame, a dor à palpação da face plantar do calcâneo é bem sugestiva. Radiografia normal não afasta o diagnóstico, porque fascite plantar é um diagnóstico sobretudo clínico. O mecanismo é irritação e microlesão da fáscia plantar, geralmente na sua inserção no calcâneo. Não é raro o paciente ter exatamente essa sequência: acorda com dor, anda um pouco, melhora, e depois piora de novo ao longo do dia. É a biomecânica do pé dizendo “você exagerou na dose”. Por isso, o gabarito é D. O conjunto de sintomas, o ponto doloroso no calcanhar e o raio-X sem alterações apontam para fascite plantar, e não para lesões como fratura por estresse ou síndromes compressivas do antepé.