Um adolescente de 15 anos está sendo avaliado por suspeita de doença reumatológica. Um ecocardiograma de rotina foi solicitado. Presume-se que a pressão do átrio direito seja 10 mmHg e que a velocidade máxima da regurgitação tricuspídea seja de 3,5 m/seg. Assinale a opção que indica o valor estimado para a pressão da artéria pulmonar.
- A)38 mmHg.
Errada, porque 38 mmHg não corresponde ao gradiente de 3,5 m/s somado à pressão do átrio direito.
- B)38 mmHg.
Errada, pelo mesmo motivo da alternativa A: o cálculo pelo Doppler não leva a 38 mmHg.
- C)59 mmHg.
Correta, pois 4 x (3,5)² = 49 mmHg e, somando a pressão do átrio direito de 10 mmHg, chega-se a 59 mmHg.
- D)77 mmHg.
Errada, pois 77 mmHg superestima o valor obtido pela fórmula de Bernoulli simplificada.
- E)49 mmHg.
Errada, porque 49 mmHg é apenas o gradiente pelo jato tricúspide, sem somar a pressão do átrio direito.
Gabarito: C
Na ecocardiografia, a pressão da artéria pulmonar pode ser estimada pela velocidade do refluxo tricúspide. A lógica é simples: primeiro você calcula o gradiente entre ventrículo direito e átrio direito com a fórmula de Bernoulli simplificada, que é 4 vezes o quadrado da velocidade máxima do jato de regurgitação tricúspide. Aqui, a velocidade é 3,5 m/s. Então o gradiente fica 4 x 3,5² = 4 x 12,25 = 49 mmHg. Como o enunciado já informa que a pressão do átrio direito é 10 mmHg, basta somar esse valor ao gradiente: 49 + 10 = 59 mmHg. Esse é exatamente o raciocínio usado na prática para estimar a pressão sistólica da artéria pulmonar quando há regurgitação tricúspide mensurável. Não tem mistério de fórmula escondida, é só Bernoulli na veia, sem drama e sem cálculo avançado. Por isso, o gabarito é a alternativa C: 59 mmHg.