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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Paciente feminina de 78 anos, viúva, estudou até a quinta série, trabalhou como dona de casa. Queixa-se de esquecimento, tristeza e perda de vontade em executar suas tarefas habituais. Refere que tem tido sono com muitos despertares, sentindo-se cansada pela manhã, assim como ter perdido peso pois suas roupas estão mais largas. Na sua avaliação o mini exame do estado mental foi de 27 pontos (de 5 a 8 anos de escolaridade ponto de corte em 26 pontos) fluência verbal categoria semântica de 9 animais (até 8 anos de escolaridade mínimo de 8 itens), escala de depressão geriátrica com 9 pontos (ponto de corte 5). Sua hipótese diagnóstica é a de

Gabarito: C

Em geriatria, a grande pergunta diante de queixa de esquecimento é: estamos falando de demência, de delirium, de depressão ou apenas de um esquecimento benigno? Aqui, o quadro aponta para depressão: tristeza, perda de interesse e vontade, alteração do sono, cansaço matinal e perda de peso são sinais bem típicos. Em idosos, a depressão muitas vezes aparece com queixa cognitiva, então o paciente diz que está "esquecido", mas o problema de base é o humor, não necessariamente uma síndrome demencial. Os testes ajudam a separar as hipóteses. O Mini Exame do Estado Mental veio 27 pontos, acima do ponto de corte para a escolaridade informada, e a fluência verbal também ficou adequada. Isso enfraquece a hipótese de transtorno neurocognitivo maior, que exigiria prejuízo cognitivo com impacto funcional mais evidente. Não há elementos de rebaixamento agudo da atenção ou flutuação do nível de consciência, o que praticamente afasta delirium. A Escala de Depressão Geriátrica com 9 pontos, acima do ponto de corte de 5, reforça muito o diagnóstico de depressão. Na prática, esse é o famoso "pseudodemência depressiva": a pessoa parece ter problema de memória, mas o conjunto do quadro é dominado por sintomas afetivos e vegetativos. A literatura geriátrica ensina justamente isso: sempre investigar depressão antes de rotular o idoso como demenciado. Por isso, o gabarito é a alternativa C, transtorno depressivo. O caso foi montado com sinais clássicos de depressão no idoso e testes cognitivos preservados ou sem queda suficiente para justificar síndrome neurocognitiva.

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