Paciente de 23 anos, história de asma na infância, é atendido na emergência com quadro clínico de dispneia intensa iniciada há cerca de 12 horas, associada a “chiado no peito”, sensação de aperto no tórax. Refere estado gripal há cerca de 48h com queixa de coriza, tosse seca e mialgia. Considerando o diagnóstico de asma, assinale a afirmativa que apresenta dois sinais clínicos de gravidade.
- A)febre e taquicardia.
Errada, porque febre e taquicardia são achados inespecíficos e não constituem, por si, dois sinais clássicos de gravidade da asma.
- B)pulso paradoxal e cianose.
Certa, pois pulso paradoxal e cianose são sinais típicos de crise asmática grave e sugerem importante comprometimento ventilatório.
- C)expectoração purulenta e estertores creptantes.
Errada, porque expectoração purulenta e estertores crepitantes sugerem mais infecção respiratória/pneumonia do que gravidade asmática.
- D)psicomotora e sibilos.
Errada, porque psicomotora provavelmente quis dizer agitação psicomotora, que pode ocorrer na hipoxemia, mas sibilos isolados não são sinal de gravidade.
- E)roncos e cianose.
Errada, porque roncos e cianose não formam o par clássico de sinais de gravidade cobrado na asma, e roncos são achado respiratório pouco específico.
Gabarito: B
Na crise asmática, o que mais importa não é só ouvir o chiado, mas perceber se o paciente está entrando em uma obstrução grave do fluxo aéreo. Os sinais de gravidade indicam que o ar está passando cada vez com mais dificuldade e que o esforço respiratório já está “no limite”. Por isso, além da falta de ar importante, alguns achados chamam muita atenção no exame físico. Entre esses sinais, o pulso paradoxal é um clássico de gravidade: ele é a queda exagerada da pressão sistólica durante a inspiração, refletindo grande esforço respiratório e aumento da obstrução. A cianose também é um sinal alarmante, porque sugere hipóxia e comprometimento importante da oxigenação. É por isso que o gabarito é a letra B. Em uma crise asmática grave, a presença desses dois achados aponta para piora clínica e necessidade de tratamento imediato, com broncodilatador, corticoide e monitorização rigorosa. Em prova, pense assim: chiado sozinho não é o problema; o problema é quando o chiado vem acompanhado de sinais de falência respiratória iminente. Vale lembrar que febre, secreção purulenta ou estertores crepitantes puxam mais para infecção respiratória ou pneumonia do que para gravidade típica da asma. Já sibilos podem aparecer em asma leve ou grave, então, isoladamente, não definem pior prognóstico.