Paciente 25 anos com queixa de dor abdominal, emagrecimento, diarreia e anemia hipocrômica, procura gastroenterologista. Foi diagnosticada como sendo portadora de Doença Celíaca soronegativa. Em relação a esse grupo de pacientes, é correto afirmar que
- A)tem uma morbidade e mortalidade maior, quando comparados aos portadores de D. Celíaca clássica.
Certa: a forma soronegativa costuma ser diagnosticada mais tardiamente e pode ter pior desfecho, com maior morbidade e mortalidade do que a forma clássica.
- B)representam 50% dos casos de D. Celíaca.
Errada: a doença celíaca soronegativa não corresponde a 50% dos casos, sendo bem menos frequente.
- C)o acompanhamento clínico é feito com biópsias após 3 meses de dieta sem glúten.
Errada: o acompanhamento não é feito com biópsia obrigatória após 3 meses de dieta sem glúten; a reavaliação é clínica e sorológica, com biópsia em situações selecionadas e geralmente mais tarde.
- D)o melhor teste sorológico é o Anti-gliandina IgA.
Errada: o anti-gliadina IgA não é o melhor teste sorológico atualmente; os mais usados são anti-transglutaminase tecidual IgA e anti-endomísio, com controle de IgA total.
- E)os testes genéticos para HLA -QQ2 não são indicados nesse grupo de pacientes.
Errada: os testes genéticos HLA-DQ2/DQ8 podem ser úteis justamente nos casos duvidosos ou soronegativos, ajudando a afastar ou apoiar o diagnóstico.
Gabarito: A
A Doença Celíaca soronegativa é aquela em que o paciente tem quadro clínico e histológico compatíveis, mas os anticorpos sorológicos usuais não aparecem positivos. Isso acontece em uma minoria dos casos e costuma exigir mais atenção diagnóstica, porque você não pode depender só do exame de sangue para fechar o caso. Nesses pacientes, o raciocínio é: sintomas típicos, biópsia duodenal compatível, melhora com dieta sem glúten e, quando necessário, apoio dos testes genéticos HLA-DQ2/DQ8. Ou seja, o diagnóstico fica mais “clínico-patológico” do que sorológico. O velho anti-gliadina IgA não é o melhor teste, ficou para trás na prática. O ponto mais cobrado é que a forma soronegativa tende a ser mais difícil de reconhecer e, por isso, pode chegar mais tarde ao diagnóstico. Resultado: maior risco de atraso terapêutico, maior carga de doença e pior desfecho global, o que se traduz em morbidade e mortalidade maiores quando comparada à forma clássica bem identificada e tratada cedo. Em resumo: se a banca falar em forma soronegativa, pense em maior dificuldade diagnóstica, necessidade de integrar clínica + histologia + genética e cuidado para não cair nas armadilhas dos testes antigos ou de seguimento precoce com biópsia em poucos meses.