A quimioterapia neoadjuvante consiste no tratamento sistêmico realizado antes do tratamento cirúrgico e radioterápico. São consideradas vantagens desse tratamento, exceto:
- A)Possibilidade de testar a medicação sistêmica “in vivo” antes da exérese do tumor
Certa: a neoadjuvância permite testar a sensibilidade do tumor ao tratamento sistêmico ainda em vida, antes da cirurgia.
- B)Possibilidade de de-escalonamento cirúrgico, aumentando a chance de realização de cirurgia conservadora
Certa: a redução do tumor pode permitir cirurgia conservadora, em vez de uma cirurgia mais mutilante.
- C)Servir como informação preditiva e prognóstica no caso de resposta patológica completa
Certa: a resposta patológica completa costuma ter valor prognóstico e também ajuda a prever resposta ao tratamento.
- D)Em alguns tipos de tumores como o triplo negativo quando não há resposta completa após quimioterapia neoadjuvante é possível oferecer tratamento sistêmico adjuvante.
Certa: em alguns tumores, como o triplo negativo, a ausência de resposta completa pode indicar necessidade de tratamento sistêmico adjuvante complementar.
- E)O diagnóstico em casos de resposta completa após tratamento é feito apenas pela core biopsia, o que pode não corresponder ao volume tumoral total.
Errada: a core biopsy é amostral e não define sozinha resposta completa nem substitui a avaliação do material cirúrgico.
Gabarito: E
A quimioterapia neoadjuvante é aquela feita antes da cirurgia e, em muitos cenários, antes também da radioterapia. A ideia é “mexer no tumor antes de abrir”, o que ajuda a avaliar se a doença responde ao esquema escolhido, além de poder reduzir o volume tumoral e facilitar uma cirurgia menos agressiva. Na prática, isso traz algumas vantagens bem conhecidas: você testa o tratamento sistêmico no paciente real, observa a resposta tumoral in vivo e, se houver boa resposta, pode até aumentar a chance de cirurgia conservadora. Em tumores como o de mama triplo negativo, a resposta patológica completa também tem valor prognóstico e orienta condutas posteriores. O ponto central da questão é que a alternativa E não descreve uma vantagem da neoadjuvância, mas um erro conceitual. Se houver resposta completa, não se diz que o diagnóstico é feito apenas por core biopsy, porque a core biopsy é amostral e pode não refletir todo o leito tumoral ou doença residual microscópica. A avaliação correta da resposta patológica depende do material cirúrgico, e não só de uma biópsia por agulha. Por isso, o gabarito é E: ela apresenta uma afirmação inadequada sobre o acompanhamento e a confirmação da resposta completa, contrariando a lógica oncológica usada na neoadjuvância. Em provas, a banca gosta muito de trocar “avalia resposta” por “fecha diagnóstico definitivo”, e aí mora a pegadinha.