A respeito das indicações para o uso de glicocorticoide no doente crítico, analise os itens a seguir. I. Choque séptico refratário a catecolaminas. II. Pneumonia bacteriana grave, com choque ou com necessidade de ventilação mecânica. III. Síndrome respiratória aguda grave causada pelo vírus da Influenza. IV. Trauma raquimedular ou traumatismo craniano grave Assinale a opção que apresenta os itens corretos.
- A)I e II, apenas.
Correta, porque choque séptico refratário a catecolaminas e pneumonia bacteriana grave com choque ou ventilação mecânica podem justificar glicocorticoide como adjuvante no doente crítico.
- B)I e IV, apenas.
Errada, porque o item IV não é indicação clássica de glicocorticoide; no traumatismo craniano grave, o uso foi associado a pior desfecho em estudos como o CRASH.
- C)I, II e III, apenas.
Errada, porque o item III não deve ser tratado como indicação rotineira de corticoide na influenza grave, já que a terapia pode piorar desfechos.
- D)I, III e IV, apenas.
Errada, porque os itens III e IV não entram como indicações consagradas de glicocorticoide no doente crítico.
- E)I, II, III e IV.
Errada, porque inclui os itens III e IV, que não são indicações reconhecidas de rotina para glicocorticoide.
Gabarito: A
A ideia aqui é separar quando o glicocorticoide ajuda de verdade no doente crítico e quando ele mais atrapalha do que salva. Em geral, ele não é usado "de rotina" para qualquer inflamação intensa, porque pode trazer hiperglicemia, fraqueza muscular e maior risco de infecção. O uso precisa ter uma indicação clínica bem definida. No choque séptico refratário a catecolaminas, o corticoide pode ser indicado como terapia adjuvante, especialmente quando a hipotensão persiste apesar de volume adequado e vasopressores. A lógica é ajudar na resposta vascular ao choque, e isso aparece em recomendações de terapia intensiva e em diretrizes de sepse. Também pode haver indicação em pneumonia bacteriana grave com choque ou necessidade de ventilação mecânica, porque esses cenários traduzem inflamação sistêmica importante e maior gravidade, em que o corticoide pode ser considerado como adjuvante em protocolos específicos. Já na síndrome respiratória aguda grave por influenza, o uso rotineiro de glicocorticoide não é recomendado, pois se associa a pior desfecho em muitos estudos observacionais. Trauma raquimedular e traumatismo craniano grave não são indicações clássicas para glicocorticoide. No traumatismo craniano, inclusive, corticoide em altas doses mostrou piora de mortalidade em estudos históricos, como o CRASH, então aqui a prova quer justamente separar o que é indicação real do que é armadilha de "anti-inflamatório poderoso".