Com relação à síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS), analise as afirmativas a seguir. I. No exame físico daqueles com ronco e/ou com SAOS deve-se avaliar a circunferência cervical, o esqueleto craniofacial e a classificação de Friedman. II. Os eventos respiratórios podem desencadear desordens intermitentes dos gases sanguíneos, como hipoxemia e hipercapnia, levando a uma ativação do sistema simpático. III. Na polissonografia, o valor do índice de apneia-hipopneia (AIH) entre 5 e 15 por hora indica uma SAOS moderada e, o maior do que 30, uma SAOS severa. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I está correta. De fato, a I está certa: na avaliação do paciente com ronco e/ou SAOS, é importante examinar a circunferência cervical, o esqueleto craniofacial e a classificação de Friedman, que ajuda a descrever a anatomia orofaríngea e o risco de obstrução. O problema é que a afirmativa II também está correta, porque os eventos obstrutivos podem gerar hipóxia e hipercapnia intermitentes, com ativação do sistema simpático; por isso não se pode restringir a resposta à I.
- B)I e II, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e II, e esse é exatamente o conjunto correto. A I procede ao lembrar que o exame físico do paciente com ronco/SAOS deve incluir avaliação cervical, craniofacial e classificação de Friedman; a II também está certa, pois as apneias e hipopneias provocam dessaturação e retenção de CO2 intermitentes, com resposta autonômica simpática. A III é que erra a graduação do índice de apneia-hipopneia, porque 5 a 14,9 indica SAOS leve, 15 a 29,9 moderada e 30 ou mais severa, na classificação usual.
- C)I e III, apenas.
A alternativa afirma que as proposições I e III bastariam. A I realmente está correta pelos elementos clássicos do exame físico na SAOS, mas a III distorce a classificação polissonográfica: AHI de 5 a 14,9 é leve, 15 a 29,9 é moderada e 30 ou mais é severa. Além disso, a II também é verdadeira, já que os eventos respiratórios podem causar hipóxia e hipercapnia intermitentes com ativação simpática, de modo que a alternativa deixa fora uma afirmativa correta e inclui uma classificação errada.
- D)II e III, apenas.
A alternativa considera corretas apenas II e III. A II está correta ao indicar que os eventos respiratórios da SAOS podem produzir hipoxemia e hipercapnia intermitentes, com aumento da atividade simpática. Já a III falha na faixa do índice de apneia-hipopneia, porque 5 a 15 não corresponde a forma moderada, e sim leve; além disso, a I também é verdadeira ao trazer parâmetros úteis do exame físico, como circunferência cervical e avaliação craniofacial.
- E)I, II e III.
A alternativa defende que todas as três afirmativas estariam corretas. Isso não se sustenta porque a III traz erro na classificação da SAOS pela polissonografia: AHI de 5 a 14,9 corresponde a forma leve, 15 a 29,9 a moderada e 30 ou mais a severa. As afirmativas I e II estão corretas, mas a presença desse equívoco impede marcar todas as proposições.
Gabarito: B
A síndrome de apneia obstrutiva do sono (SAOS) acontece quando a via aérea superior colaba repetidamente durante o sono, gerando pausas respiratórias, ronco e sono não reparador. Na avaliação clínica, faz sentido olhar além do “ronco”: circunferência cervical aumentada, alterações craniofaciais e a classificação de Friedman ajudam a estimar risco e até a resposta ao tratamento cirúrgico. A fisiopatologia também costuma cobrar presença de hipóxia e, em alguns casos, hipercapnia durante os eventos obstrutivos. Isso dispara ativação simpática, o que explica parte das consequências cardiovasculares da doença, como aumento de pressão arterial e maior risco cardiovascular ao longo do tempo. Na polissonografia, o índice de apneia-hipopneia (IAH) é a medida-chave para classificar a gravidade: de 5 a 14,9 eventos/hora é SAOS leve; de 15 a 29,9, moderada; e 30 ou mais, grave. Então, quando a questão troca os pontos da classificação, ela tenta te fazer escorregar no clássico “parece certo, mas não é”. Por isso, o gabarito B está correto: a afirmativa I está certa, a II também está certa, e a III está errada por inverter a faixa de gravidade do IAH.