Mulher de 27 anos procura ambulatório queixando-se de fadiga, emagrecimento e dor em hipocôndrio direito. Sintomas que tiveram início há 3 meses. Exames laboratoriais demonstram elevação das transaminases, da gamaglutamil transferase e das imunoglobulinas, sugerindo tratar-se de uma possível hepatite autoimune. Assinale a opção que indica o exame laboratorial que poderia ajudar na elucidação diagnóstica.
- A)Anti-citrulina, fator reumatoide e anti-Rna.
Errada, porque anti-citrulina, fator reumatoide e anti-RNA são marcadores mais ligados a artrite reumatoide e outras doenças sistêmicas, não à hepatite autoimune.
- B)Fan padrão homogêneo, anti-músculo liso e anti-klm1.
Certa, pois FAN em padrão homogêneo, anti-músculo liso e anti-LKM1 são os principais autoanticorpos associados à hepatite autoimune.
- C)Anti Dna dupla hélice, anti-TPO e anti-cardiolipina.
Errada, porque anti-DNA dupla hélice, anti-TPO e anti-cardiolipina apontam mais para lúpus, tireoidite autoimune e síndrome antifosfolípide.
- D)Aslo, panca e anti-trab.
Errada, porque ASLO é marcador de infecção estreptocócica e pANCA é mais lembrado em colangite esclerosante primária, não como painel típico de hepatite autoimune.
- E)Alfa fetoproteina, anticentrômero e anti-CCP.
Errada, porque alfa-fetoproteína sugere neoplasia hepática, anticentrômero se relaciona a esclerose sistêmica/colangite biliar primária e anti-CCP a artrite reumatoide.
Gabarito: B
A hepatite autoimune costuma aparecer em mulher jovem, com sintomas inespecíficos como fadiga, perda de peso e dor abdominal, além de aumento de transaminases e imunoglobulinas, especialmente IgG. O raciocínio clínico aqui é bem clássico: antes de pensar em causa viral ou medicamentosa, você junta idade, sexo, hipertransaminasemia e hipergamaglobulinemia e acende a luz da autoimunidade. Na investigação laboratorial, os autoanticorpos mais úteis são o FAN com padrão homogêneo, o anti-músculo liso e, em alguns casos, o anti-LKM1. Esses marcadores não fecham diagnóstico sozinhos, mas ajudam muito a sustentar a hipótese, principalmente quando vêm junto com IgG elevada e exclusão de outras causas de hepatite. Por isso, a alternativa B está correta: ela reúne exatamente os anticorpos que fazem parte da propedêutica da hepatite autoimune. O FAN homogêneo e o anti-músculo liso são os mais lembrados na forma tipo 1, enquanto o anti-LKM1 aparece mais na tipo 2, que é menos comum. A biópsia hepática pode confirmar e classificar, mas a pista laboratorial já vem daqui. Em prova, a banca gosta de misturar anticorpos de doenças reumatológicas, colangite biliar primária e colangite esclerosante primária para ver se você troca tudo no susto. Se lembrar que hepatite autoimune conversa com FAN, anti-músculo liso e anti-LKM1, você já sai na frente.