Na Endocardite Infecciosa (EI), a discussão pelo Heart Team é a melhor forma de se chegar à indicação e ao momento da cirurgia. As opções a seguir apresentam situações em que a cirurgia precoce deve ser pensada, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Pacientes que ainda não apresentam disfunção valvar ou sinais de insuficiência cardíaca.
Correta, pois a ausência de disfunção valvar e de insuficiência cardíaca afasta um dos principais critérios para cirurgia precoce na endocardite infecciosa.
- B)EI esquerda por S. Aureus, fungos ou outros microorganismos altamente resistentes.
Errada, porque endocardite esquerda por S. aureus, fungos ou microrganismos muito resistentes é indicação clássica de cirurgia precoce por infecção agressiva ou de difícil erradicação.
- C)EI complicada com bloqueio cardíaco, abscesso aórtico ou anular ou lesões destrutivas penetrantes.
Errada, pois bloqueio cardíaco, abscesso aórtico/anular e lesões destrutivas penetrantes sugerem complicação perivalvar grave, o que pesa a favor de cirurgia precoce.
- D)Pacientes que apresentam embolia recorrente e vegetações persistentes, a despeito de antibioticoterapia adequada.
Errada, porque embolia recorrente com vegetações persistentes apesar de antibiótico adequado é situação típica para considerar intervenção cirúrgica precoce.
- E)Pacientes com EI que apresentam vegetações móveis, com 10mm de extensão, com ou sem evidência de embolização.
Errada, pois vegetações móveis com cerca de 10 mm já entram no grupo de maior risco embólico e podem motivar abordagem cirúrgica precoce, especialmente se houver embolização.
Gabarito: A
Na endocardite infecciosa, a cirurgia precoce entra em cena quando há risco alto de morte, embolia ou falha do tratamento clínico. Em geral, o Heart Team avalia três grandes motivos: insuficiência cardíaca por disfunção valvar, infecção fora de controle e prevenção de eventos embólicos em casos selecionados. Ou seja, não é uma cirurgia para todo mundo, mas também não dá para esperar a situação piorar quando o quadro já acendeu o alerta vermelho. A alternativa A está correta porque, sozinha, descreve pacientes que ainda não apresentam disfunção valvar nem sinais de insuficiência cardíaca, isto é, não há um dos principais gatilhos para cirurgia precoce. Na prática, a indicação cirúrgica costuma surgir quando a lesão valvar gera repercussão hemodinâmica, quando há abscesso, bloqueio de condução, germes agressivos ou embolização recorrente, e não simplesmente pela presença da endocardite sem complicações. As diretrizes europeias de cardiologia e a prática consagrada do Heart Team orientam que a cirurgia seja considerada precocemente em casos de IC, infecção não controlada e prevenção de embolias em situações de maior risco. Então, se o enunciado pede a exceção, a pista está justamente na ausência de disfunção valvar e de insuficiência cardíaca, que enfraquece a indicação cirúrgica imediata.