Um adolescente sofreu ferimentos graves na cabeça, após um acidente automobilístico. Durante 6 meses de recuperação pós trauma, notou-se proptose o globo ocular direito e com pulsação. A ressonância magnética demonstrou uma distensão maciça do seio cavernoso direito e das estruturas venosas adjacentes. Assinale a opção que indica o provável diagnóstico.
- A)Aneurisma pós-traumático.
Errada, porque aneurisma pós-traumático não explica tão bem a proptose pulsátil e a distensão do seio cavernoso, que são achados típicos de comunicação arteriovenosa na região cavernosa.
- B)Fístula carótido-cavernosa.
Certa, pois o trauma pode romper a carótida interna e formar uma comunicação com o seio cavernoso, causando proptose pulsátil e dilatação venosa orbitária.
- C)Aneurisma micótico.
Errada, porque aneurisma micótico costuma estar associado a infecção e embolização séptica, não ao quadro clássico pós-traumático descrito.
- D)Pseudoaneurisma.
Errada, porque pseudoaneurisma é uma dilatação contida da parede vascular, mas não justifica de forma tão característica a distensão maciça do seio cavernoso com proptose pulsátil.
- E)Arteriopatia cerebral focal.
Errada, pois arteriopatia cerebral focal não é o diagnóstico que explica esse quadro orbitário pós-trauma com envolvimento do seio cavernoso.
Gabarito: B
Após um trauma cranioencefálico, especialmente com fratura de base de crânio, pode surgir uma comunicação anormal entre a artéria carótida interna e o seio cavernoso. Esse atalho patológico faz o sangue arterial entrar no sistema venoso em alta pressão, aumentando o volume das veias orbitárias e do seio cavernoso. O resultado clássico é olho saliente e pulsátil, muitas vezes com sopro e quemoses, um quadro que quase “grita” fístula carótido-cavernosa. No caso descrito, o adolescente teve trauma grave e, meses depois, desenvolveu proptose pulsátil do olho direito. A ressonância mostrou distensão maciça do seio cavernoso direito e das estruturas venosas adjacentes, achado bem compatível com repercussão de uma fístula arteriovenosa nessa região. O seio cavernoso dilatado, junto com sinais orbitários, é uma pista muito forte para esse diagnóstico. Por isso, o gabarito é a letra B. Em Neurologia e Neurocirurgia, essa fístula é uma causa clássica de proptose pulsátil pós-trauma, sobretudo quando há evolução subaguda ou tardia após o acidente. É aquele tipo de questão em que a história clínica e a imagem se encaixam como peça de quebra-cabeça. As outras alternativas tentam confundir com lesões vasculares, mas nenhuma explica tão bem a combinação de trauma, proptose pulsátil e distensão do seio cavernoso. Na prática, isso costuma ser confirmado por angiografia e tratado de forma endovascular, quando indicado.