Assinale a opção que apresenta uma possível indicação clínica para implante de cardiodesfibrilador implantável (CDI).
- A)Taquicardia ventricular incessante.
Taquicardia ventricular incessante pode exigir tratamento antiarrítmico, ablação ou suporte, mas não é a indicação clássica isolada para CDI nesta formulação.
- B)Pacientes com IC classe funcional NYHA IV, refrataria a drogas, que não são candidatos a transplante cardíaco.
Paciente com IC NYHA IV refratária e sem candidatura a transplante não costuma se beneficiar de CDI, pois o prognóstico global é muito limitado.
- C)Síncope de causa indeterminada em paciente com coração estruturalmente normal.
Síncope em coração estruturalmente normal, por si só, não indica CDI; primeiro é preciso esclarecer a causa da síncope.
- D)Taquicardia ventricular fascicular.
Taquicardia ventricular fascicular geralmente é arritmia idiopática e tratável, sem indicação habitual de CDI.
- E)Paciente ambulatorial aguardando listagem para transplante cardíaco.
Paciente ambulatorial aguardando listagem para transplante cardíaco pode receber CDI como ponte para transplante, para reduzir risco de morte súbita enquanto espera.
Gabarito: E
O cardiodesfibrilador implantável (CDI) é usado para prevenir morte súbita por arritmias ventriculares malignas, especialmente em pacientes com alto risco de taquiarritmias fatais. A lógica é simples: ele não “cura” a doença de base, mas fica de plantão para detectar e tratar fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sustentada quando elas aparecem. Entre as indicações clássicas, entram pacientes selecionados com cardiopatia estrutural e risco arrítmico elevado, além de situações de prevenção secundária após eventos arrítmicos graves. Já em insuficiência cardíaca muito avançada, classe funcional NYHA IV refratária, o CDI isolado costuma não trazer benefício se o paciente não for candidato a transplante ou não tiver perspectiva de sobrevida funcional razoável. A alternativa correta é a que descreve o paciente ambulatorial aguardando listagem para transplante cardíaco. Nessa situação, o CDI pode ser indicado como medida de proteção contra morte súbita enquanto o paciente espera o transplante, funcionando como uma ponte para o tratamento definitivo. Isso é coerente com as recomendações cardiológicas e com a prática de “bridge to transplant”. Em prova, pense assim: o CDI faz sentido quando há risco arrítmico relevante e ainda existe uma estratégia de tratamento em curso. Se a situação é terminal e sem possibilidade de intervenção definitiva, ele deixa de ser uma solução útil e vira apenas mais um aparelho sem impacto real.