MRS, 46 anos, masculino, bancário. Refere que há 2 dias, após fazer caminhada com calçado inadequado, iniciou quadro de dor intensa no tornozelo esquerdo, de caráter contínuo, evoluindo para incapacidade funcional do membro. Relata quadro semelhante há 2 anos em joelho direito, que melhorou com uso de AINH por 5 dias. Ao exame: estado geral preservado e presença de monoartrite com rubor de tornozelo esquerdo. Assinale a opção que indica o diagnóstico mais importante para este caso.
- A)Artrite reumatoide e gota.
Errada, porque artrite reumatoide costuma ser poliarticular, simétrica e crônica, não uma monoartrite aguda em tornozelo com rubor intenso.
- B)Artrite microcristalina e distrofia simpático reflexa.
Errada, porque artrite microcristalina é plausível, mas distrofia simpático reflexa não explica esse quadro inflamatório articular típico.
- C)Gota e artrite infecciosa.
Certa, pois o caso sugere gota, mas em monoartrite aguda a artrite infecciosa é o diagnóstico que precisa ser priorizado e descartado.
- D)Artrite reativa e artrite reumatoide.
Errada, porque artrite reativa geralmente vem após infecção gastrointestinal ou geniturinária e não é a hipótese mais forte aqui.
- E)Artrite psoriática e artrite reativa.
Errada, porque artrite psoriática e artrite reativa são causas inflamatórias diferentes, mas o quadro descrito é de monoartrite aguda, sem pistas clínicas para elas.
Gabarito: C
O quadro descrito é muito sugestivo de um ataque agudo de gota: dor intensa, monoartrite, rubor, início súbito e antecedente de episódio parecido em outra articulação que melhorou com AINH. Em provas, esse roteiro clássico costuma aparecer como “primeiro pensamento” quando o paciente é homem, tem crise abrupta e a articulação fica inflamada de forma bem exuberante. A gota é uma artrite microcristalina causada por depósito de cristais de urato monossódico, e o diagnóstico costuma ser sugerido pela clínica, mas a confirmação ideal vem pela punção articular com identificação dos cristais em forma de agulha e birrefringência negativa. Só que a banca quer o diagnóstico mais importante para este caso, e aí entra a segurança: em uma monoartrite aguda muito dolorosa, com calor, rubor e limitação importante, você sempre deve pensar em artrite infecciosa até prova em contrário. Isso porque a artrite séptica é a emergência reumatológica que não pode passar batida, já que o atraso no diagnóstico pode destruir a articulação em pouco tempo. Ou seja, a história lembra gota, mas o perigo maior a ser descartado é infecção articular. A artrite infecciosa costuma cursar com monoartrite aguda, dor importante, sinais flogísticos e limitação funcional, podendo ou não haver febre. O ponto de ouro é que ela exige investigação rápida com artrocentese, análise do líquido sinovial, Gram e cultura. Em provas da FGV, esse raciocínio de “monoartrite aguda = pensar em séptica primeiro” aparece bastante, mesmo quando o caso tem cara de gota. Então, a alternativa C é a correta porque reúne o diagnóstico que parece mais provável pelo caso (gota) e o diagnóstico que não pode ser perdido e precisa ser excluído com prioridade (artrite infecciosa). É a lógica do concurso e da vida real: primeiro você pensa no que parece, mas age como médico de verdade pensando no que mata ou destrói articulação antes.