Um neonato de mãe com sífilis na gestação sem tratamento adequado apresenta os seguintes exames complementares: LCR com 10 células/mm3, proteinorraquia de 120mg/mL e VDRL reagente 1:2. Sobre o caso relatado, assinale a afirmativa correta.
- A)Não é possível saber o diagnóstico sem comparar o VDRL do sangue do neonato e da mãe.
Errada, porque o VDRL do líquor já é um dado relevante por si só e o diagnóstico não depende obrigatoriamente da comparação entre os títulos do sangue do neonato e da mãe.
- B)O neonato tem LCR com celularidade e proteinorraquia normais, então o VDRL reagente em titulação baixa não é suficiente para o diagnóstico de neurossífilis.
Errada, porque o LCR não está normal na presença de VDRL reagente, e em recém-nascido esse achado aponta fortemente para acometimento do SNC.
- C)O neonato tem LCR com celularidade e proteinorraquia alterados, porém os valores estão dentro do limite e, portanto, ele não tem sífilis congênita.
Errada, porque os dados do líquor não permitem afastar sífilis congênita; além disso, VDRL reagente no LCR não é um achado banal.
- D)O neonato tem diagnóstico de neurossífilis congênita.
Certa, porque o VDRL reagente no líquor em um neonato exposto à sífilis materna sem tratamento adequado caracteriza neurossífilis congênita.
- E)O neonato tem diagnóstico de sífilis congênita sem acometimento do sistema nervoso central, já que os resultados do LCR são normais.
Errada, porque o líquor não é normal se o VDRL está reagente, então não se trata de sífilis congênita sem acometimento do SNC.
Gabarito: D
Na sífilis congênita, o raciocínio em recém-nascido não depende só do exame de sangue, mas também da avaliação do líquor quando há suspeita de acometimento do SNC. Isso porque o Treponema pode atingir o sistema nervoso central muito cedo, e o VDRL no LCR é um achado bem importante, quando reage, para neurossífilis. Aqui, o ponto-chave é justamente esse: o neonato tem VDRL reagente no líquor, em titulação 1:2. Além disso, a interpretação do LCR em recém-nascidos é mais sensível e precisa ser feita com os limites esperados para a idade. Mesmo que a celularidade e a proteinorraquia possam gerar dúvida em outros contextos, o VDRL no líquor reagente já pesa muito a favor de acometimento neurológico. Em prova, isso costuma bastar para firmar neurossífilis congênita, especialmente em um bebê de mãe com sífilis sem tratamento adequado. Ou seja: não é um caso de “sífilis congênita qualquer” apenas. O exame do líquor mostra infecção no SNC, o que desloca o diagnóstico para neurossífilis congênita. A banca quer que você perceba que VDRL reagente no LCR não é detalhe decorativo, é pista forte demais para ser ignorada. Então o gabarito é a letra D. Em linguagem de prova: mãe sem tratamento adequado + LCR com VDRL reagente = neurossífilis congênita até prova muito convincente em contrário.