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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Escolar, masculino, 7 anos, em investigação para claudicação há 6 meses, com elevação importante de creatinofosfoquinase, com sinal de Gower ao exame físico. Já realizou PCR para o gene DMD, o qual revelou ausência de mutações. Assinale a opção que apresenta a interpretação correta da história e conduta a ser adotada.

Gabarito: E

Na distrofia muscular de Duchenne, o quadro clínico costuma aparecer na infância com atraso motor, dificuldade para correr, subir escadas e o famoso sinal de Gower, junto com elevação importante de CPK. Quando a suspeita é forte, um exame molecular inicial pode ser o PCR para algumas deleções do gene DMD, mas isso não exclui a doença se vier negativo, porque o PCR não detecta todas as alterações possíveis. Por isso, uma PCR sem mutação não encerra a investigação. O próximo passo é ampliar a análise genética com MLPA do gene DMD, que pesquisa deleções e duplicações maiores, muito comuns nessa doença. Se ainda assim não houver diagnóstico, aí sim pode-se avançar para sequenciamento, conforme o caso e a disponibilidade. Em genética médica, o raciocínio é simples: clínica muito sugestiva não pode ser descartada por um teste incompleto. Então, o gabarito E está correto porque a suspeita de Duchenne permanece alta e o exame indicado para complementar a investigação é o MLPA do gene DMD. A biópsia muscular ficou mais reservada para situações em que a investigação genética não fecha o diagnóstico ou quando não há acesso aos testes moleculares adequados. Em prova, a banca gosta de cobrar exatamente essa armadilha: teste negativo não significa doença descartada, principalmente quando o método usado não avalia todo o espectro de mutações. Aqui, a história clínica manda mais alto que um PCR isolado, quase como um músculo pedindo socorro antes do laudo chegar.

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