Com relação ao tumor de pulmão não pequenas células, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Na presença de metástase única em SNC, em casos selecionados, há indicação de tratamento cirúrgico da lesão pulmonar primária.
Correta: em casos selecionados de metástase única no SNC, pode haver indicação de cirurgia do tumor pulmonar primário.
- B)Pacientes com metástase metacrônica para a suprarrenal tem maior sobrevida que aqueles com metástases sincrônicas, após a ressecção da lesão pulmonar primária.
Correta: metástase suprarrenal metacrônica costuma associar-se a melhor prognóstico do que a sincrônica após ressecção em casos bem selecionados.
- C)Nos casos de suspeita de metástase para suprarrenal, a confirmação histopatológica é absolutamente necessária, devido à alta incidência de adenomas corticais.
Correta: a confirmação histopatológica da lesão suprarrenal muitas vezes é necessária, pois adenomas corticais são frequentes e podem simular metástase.
- D)O estadiamento mediastinal é secundário, nos casos com metástase única para SNC; o número de metástases é o fator limitante mais importante na indicação da ressecção da lesão pulmonar.
Errada: o estadiamento mediastinal continua importante e a indicação cirúrgica não depende principalmente apenas do número de metástases.
- E)A suprarrenal é um sítio relativamente frequente de metástases dos tumores primários de pulmão, devendo sempre ser incluídas nos métodos de imagem de investigação inicial destes tumores.
Correta: a suprarrenal é um sítio comum de metástase e deve ser investigada na avaliação inicial por imagem do câncer de pulmão.
Gabarito: D
No câncer de pulmão de não pequenas células, a presença de metástase única em sítio extra-torácico não fecha, por si só, a porta para tratamento cirúrgico. Em pacientes bem selecionados, especialmente quando há controle da doença primária, bom estado clínico e doença limitada, pode haver indicação de ressecção da lesão pulmonar e da metástase, com intenção de prolongar sobrevida. Isso aparece bastante em metástase única no SNC ou na suprarrenal, sempre com avaliação cuidadosa do estadiamento completo. O ponto-chave é que o raciocínio não é só “quantas metástases existem”, mas também onde elas estão, se são sincrônicas ou metacrônicas e se há doença mediastinal. Na cirurgia oncológica do pulmão, o estadiamento do mediastino continua muito importante, porque linfonodos mediastinais positivos mudam prognóstico e estratégia terapêutica. Então, dizer que ele é secundário de forma geral é simplificar demais uma decisão que depende de múltiplos fatores. A alternativa D é a incorreta porque afirma que, nos casos com metástase única para SNC, o estadiamento mediastinal seria secundário e que o número de metástases seria o fator limitante mais importante. Na prática, o estadiamento mediastinal não perde relevância, e a indicação cirúrgica depende de um conjunto de critérios, não apenas da contagem de metástases. Em outras palavras: oncologia não é matemática de um número só. As alternativas A, B, C e E estão alinhadas com a conduta clássica em casos selecionados de doença oligometastática. Em especial, a suprarrenal é um sítio frequente de metástase de câncer de pulmão e muitas vezes requer confirmação histopatológica, porque adenomas adrenais são comuns e podem confundir a imagem.