O processo fisiológico do envelhecimento implica em alterações na farmacodinâmica e farmacocinética das drogas. Sobre isto, podemos afirmar que
- A)o aumento da água intracelular reduz a concentração de fármacos hidrossolúveis.
Errada, porque no idoso a água corporal total diminui, o que tende a aumentar a concentração de fármacos hidrossolúveis, e não reduzir.
- B)a creatinina plasmática é um bom parâmetro para avaliação da função tubular renal.
Errada, porque a creatinina plasmática isolada não é bom parâmetro para função tubular renal nem para estimar bem a função renal no idoso.
- C)a redução da função do citocromo P-450 implica na redução do metabolismo dos benzodiapepínicos.
Certa, porque a redução da atividade do citocromo P-450 diminui o metabolismo hepático de várias drogas, incluindo benzodiazepínicos.
- D)a redução da gordura corporal aumenta o tempo de ação das substâncias lipossolúveis.
Errada, porque a redução da gordura corporal tende a diminuir o volume de distribuição de fármacos lipossolúveis, o que pode alterar e não prolongar de forma simples o efeito.
- E)o aumento na produção de bile não interfere no metabolismo das vitaminas lipossolúveis.
Errada, porque a produção de bile não aumenta no envelhecimento de forma relevante, e alterações biliares podem interferir, sim, na absorção de vitaminas lipossolúveis.
Gabarito: C
No envelhecimento, o corpo muda a forma de absorver, distribuir, metabolizar e eliminar medicamentos. Isso afeta a farmacocinética, mas também pode alterar a resposta aos remédios, que é a farmacodinâmica. Na prática, o idoso costuma ter menos massa magra, menos água corporal total, mais gordura relativa e menor depuração renal e hepática. Resultado: alguns fármacos ficam mais tempo no organismo, outros têm efeito mais intenso, e a dose precisa ser pensada com carinho, não no modo "receita de bolo". Um ponto clássico é a redução da atividade hepática, especialmente do sistema microssomal, incluindo o citocromo P-450. Isso diminui o metabolismo de várias drogas, principalmente as que dependem de biotransformação hepática para serem inativadas. Benzodiazepínicos, por exemplo, podem ter efeito prolongado no idoso, com mais risco de sedação, confusão e quedas. É exatamente esse o raciocínio da alternativa C. Outro detalhe importante: creatinina plasmática isolada engana muito em idosos, porque a massa muscular reduzida pode manter a creatinina "normal" mesmo com função renal pior. Por isso, a avaliação renal deve considerar estimativa da taxa de filtração glomerular, e não só a creatinina solta no exame. Essa é uma armadilha frequente em prova. Em resumo, envelhecer não significa apenas "filtrar mais devagar". Significa mudar o jeito como o organismo lida com o remédio inteiro, do começo ao fim. Em geriatria, o lema é: comece com doses menores, ajuste devagar e observe mais de perto.