A Síndrome de Fournier embora rara, constitui uma verdadeira emergência quando identificada. Sobre tal condição, assinale a afirmativa incorreta.
- A)Hoje a etiologia é identificada em cerca de 95% dos casos e a taxa de mortalidade pode variar de 7 a 75%.
Correta: a etiologia frequentemente é identificada e a mortalidade pode ser alta, variando amplamente conforme atraso diagnóstico e gravidade.
- B)Fontes de infecção comuns incluem abscesso renal, câncer de colon e diverticulite.
Correta: infecções de origem abdominal, colônica e urinária podem servir de porta de entrada para a síndrome de Fournier.
- C)O debridamento cirúrgico imediato não é recomendado devido à chance de aumento da vasculite e necrose pelo Clostridium perfringens.
Errada: o debridamento cirúrgico imediato é indicado e é uma das medidas centrais do tratamento, não algo a ser evitado.
- D)Oxigenioterapia hiperbárica pode ser indicada.
Correta: a oxigenioterapia hiperbárica pode ser usada como adjuvante em alguns casos, após a abordagem cirúrgica e antibiótica.
- E)O diagnóstico diferencial inicial se faz com celulite e antibioticoterapia com ampla cobertura deve ser iniciada.
Correta: o quadro pode inicialmente parecer celulite, e o antibiótico de amplo espectro deve ser iniciado precocemente junto da suspeita clínica.
Gabarito: C
A síndrome de Fournier é uma fasciíte necrosante da região perineal e genital, de evolução rápida e potencialmente fatal. Na prática, o ponto-chave é reconhecer cedo: dor desproporcional, edema, eritema, febre, crepitação e piora acelerada acendem o alerta. O tratamento é corrido, sem drama e sem demora: antibiótico de amplo espectro, suporte clínico e, principalmente, debridamento cirúrgico imediato. Aqui, quem hesita perde tecido e tempo. A etiologia costuma ser polimicrobiana e, em muitos casos, a porta de entrada é identificável, como infecções anorretais, urinárias ou cutâneas. Por isso, a alternativa B faz sentido ao citar fontes abdominais e colônicas relacionadas a quadros sépticos que podem se espalhar para o períneo. A hiperbárica pode entrar como terapia adjuvante em alguns serviços, mas nunca substitui a cirurgia. O erro da letra C é justamente dizer que o debridamento imediato não é recomendado. É o contrário: ele é obrigatório e urgente, porque a doença progride muito rápido e a retirada do tecido necrosado é a medida que mais impacta o prognóstico. Não existe essa de esperar para ver se melhora, porque Fournier não costuma colaborar com a paciência do plantão. Do ponto de vista doutrinário, a conduta clássica é cirúrgica precoce associada à cobertura antibiótica ampla, com suporte intensivo conforme gravidade. A mortalidade ainda é alta e varia bastante conforme extensão, comorbidades e atraso no tratamento, o que explica o tom de emergência verdadeira associado ao quadro.