Alguns pacientes com doença vascular aterosclerótica, especialmente aqueles com história de doença coronariana, acidente vascular cerebral ou doença vascular oclusiva periférica, podem evoluir com hipertensão renovascular, muitas vezes resistente ou refratária, por estenose de artéria renal significativa. A situação acima é caracterizada por
- A)apresentar-se com hipercortisolismo e hiporreninemia.
Errada: a hipertensão renovascular cursa com aumento de renina e não com hipocortisolismo ou hiporreninemia.
- B)induzir comumente a secreção inapropriada do ADH.
Errada: esse quadro não é definido por SIADH; o mecanismo central é ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
- C)ter excelente resposta a angioplastia em todos os casos.
Errada: a angioplastia pode ser útil em casos selecionados, mas não tem excelente resposta em todos os pacientes.
- D)causar hipoaldosteronismo e hiperatividade simpática.
Errada: a fisiopatologia é de hiperaldosteronismo secundário, não de hipoaldosteronismo, e a hiperatividade simpática não é a marca principal.
- E)associar-se à hipopotassemia e à alcalose metabólica.
Certa: a estenose de artéria renal ativa o SRAA, aumentando aldosterona e levando à perda de potássio e de hidrogênio, com hipopotassemia e alcalose metabólica.
Gabarito: E
A hipertensão renovascular acontece quando a artéria renal fica estreitada e o rim interpreta isso como se o corpo estivesse com pouco volume circulante. Aí ele ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, aumentando angiotensina II e aldosterona para tentar “segurar” pressão e sal. O problema é que, em vez de resolver, isso pode manter a hipertensão alta e muitas vezes resistente ao tratamento. Na estenose significativa de artéria renal, o rim recebe menos perfusão e passa a estimular a secreção de renina. Com mais aldosterona, o túbulo renal reabsorve mais sódio e água, mas também perde mais potássio e hidrogênio. Resultado prático: hipertensão, hipopotassemia e alcalose metabólica. É o clássico pacote da ativação do SRAA, bem longe de hipocortisolismo ou ADH como explicação principal. A questão descreve exatamente esse cenário em pacientes com doença aterosclerótica difusa, que podem ter estenose aterosclerótica de artéria renal. Nesses casos, a hipertensão costuma ser difícil de controlar e pode ser refratária, o que acende a suspeita clínica. A angioplastia pode ajudar em situações selecionadas, mas não é milagre universal, então a banca gosta de testar esse exagero. Por isso, a alternativa correta é a que associa o quadro à hipopotassemia e à alcalose metabólica, consequência direta do excesso de aldosterona secundário à hipoperfusão renal.