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Medicina · FGV · 2021

Questão comentada de Medicina

Uma paciente, sexo feminino, 25 anos, foi encaminhada para consulta devido a relato de urina escura e esporádica há cerca 1 ano, sem qualquer sintomatologia urinária associada. O exame de urina no posto de saúde mostrou: d=1025, pH=6,0, proteínas 1+, hemácias 75/campo, piócitos 4/campo. A diferenciação e caracterização da hematúria da paciente entre ter origem glomerular ou não glomerular, pode ser melhor definida, se a hematúria estiver associada a

Gabarito: A

Hematúria pode vir de dois grandes lugares: glomérulo ou trato urinário não glomerular. Na prática, a pista mais útil para pensar em origem glomerular é quando a urina mostra hemácias “machucadas”, isto é, dismorfismo eritrocitário, e/ou cilindros hemáticos. Isso acontece porque o glomérulo funciona como um filtro e, quando ele sangra, os eritrócitos passam por ali sob estresse mecânico, ficando deformados, e podem entrar nos túbulos formando cilindros. Já na hematúria não glomerular, as hemácias costumam ser mais “inteiras”, sem esse padrão de deformação típico. O quadro pode vir de cálculo, infecção, trauma, tumor ou outras causas do trato urinário, e aí o exame de urina costuma apontar outras pistas do processo, mas não aquele pacote clássico de glomérulo sofrido. Por isso, o gabarito é a alternativa A: cilindros hemáticos e/ou dismorfismo eritrocitário. Esses achados são os marcadores mais clássicos de hematúria glomerular. Em prova, se aparecer cilindro de hemácia, pode ir sem medo para glomérulo, porque esse achado praticamente “denuncia” sangramento de origem renal alta, dentro da unidade filtrante. Como reforço de prova: piócitos, nitrito, bilirrubina, hemoglobina livre e outros achados podem sugerir outras situações, mas não definem tão bem a origem glomerular quanto a morfologia das hemácias e os cilindros hemáticos.

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