Em relação a estudos de coorte, para se concluir sobre a associação entre um fator suspeito e uma determinada doença, é necessário que
- A)os grupos expostos e não expostos sejam semelhantes em relação a fatores de confusão ou que os fatores sejam ajustados.
Correta: a comparação em coorte só é válida se expostos e não expostos forem semelhantes nos fatores de confusão, ou se houver ajuste desses fatores.
- B)no início do estudo, os grupos tenham a mesma prevalência do fator suspeito.
Errada: o que importa é a incidência do desfecho durante o seguimento, não a mesma prevalência inicial do fator suspeito.
- C)os grupos representem a base populacional.
Errada: representar a base populacional pode ser desejável, mas não é condição necessária para concluir sobre associação em um estudo de coorte.
- D)o número de pessoas nos dois grupos seja semelhante.
Errada: os grupos não precisam ter o mesmo tamanho, embora o número de participantes possa influenciar o poder do estudo.
- E)seja realizado um ensaio clínico; não é possível concluir se existe associação entre fatores e doenças com um estudo de coorte.
Errada: estudo de coorte é um desenho observacional capaz de avaliar associação; ensaio clínico não é obrigatório para isso.
Gabarito: A
Em estudos de coorte, você acompanha grupos ao longo do tempo para verificar se a exposição a um fator suspeito aumenta a ocorrência de uma doença. A lógica é simples: começa-se sem o desfecho e observa-se quem adoece mais, comparando expostos e não expostos. Se a frequência da doença for maior entre os expostos, isso sugere associação entre exposição e desfecho. Mas, para essa comparação fazer sentido, os grupos precisam ser comparáveis desde o início. O grande vilão aqui são os fatores de confusão, que podem criar uma associação falsa ou esconder uma associação real. Por isso, é necessário que os grupos sejam semelhantes quanto a esses fatores, ou então que eles sejam ajustados na análise. Sem isso, o estudo pode virar uma competição injusta, com um time mais forte no começo e a vitória já meio explicada. Esse é o ponto central cobrado pela questão: em coorte, não basta observar dois grupos ao longo do tempo, é preciso controlar o que pode distorcer o resultado. É por isso que a alternativa A está correta. A ideia é clássica da epidemiologia observacional: quando não há randomização, a comparabilidade deve ser garantida por seleção, pareamento ou ajuste estatístico. As demais opções confundem conceitos de desenho de estudo. Coorte não exige mesma prevalência inicial do fator suspeito, nem número igual de participantes, nem que os grupos representem toda a base populacional de forma obrigatória para concluir associação. E, claro, estudo de coorte não depende de ensaio clínico para produzir evidência sobre associação; ele é justamente um desenho observacional útil para isso.