As alterações fisiopatológicas que podem ser encontradas na síndrome da ressecção anterior baixa (LARS), estão listadas a seguir, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Perda do reflexo inibitório reto-anal.
Correta: a ressecção baixa pode abolir o reflexo inibitório reto-anal, prejudicando o relaxamento normal do esfíncter interno.
- B)Alongamento da zona de alta pressão.
Errada: o alongamento da zona de alta pressão não é uma alteração fisiopatológica típica da LARS; o esperado é disfunção dessa zona.
- C)Diminuição da complacência retal.
Correta: a complacência retal costuma diminuir após a cirurgia, reduzindo a capacidade do reto de acomodar fezes.
- D)Capacidade de reservatório reduzida.
Correta: a capacidade de reservatório fica reduzida porque o reto perde sua função de armazenamento.
- E)Aumento da contratilidade colônica precoce pós-prandial.
Correta: pode haver aumento da contratilidade colônica pós-prandial, o que favorece urgência e evacuações frequentes.
Gabarito: B
A síndrome da ressecção anterior baixa (LARS) aparece depois de cirurgias retais, principalmente quando a anastomose fica muito baixa. O resultado costuma ser um intestino “desorganizado” na hora de armazenar e controlar as fezes: o reto perde parte da sua função de reservatório, a complacência diminui e o reflexo inibitório reto-anal pode desaparecer. Em outras palavras, o sistema que segurava a evacuação fica menos eficiente, e o paciente pode ter urgência, aumento da frequência e incontinência. Nada muito elegante para o assoalho pélvico, coitado. Entre as alterações fisiopatológicas clássicas da LARS estão a perda do reflexo inibitório reto-anal, a redução da complacência retal, a diminuição da capacidade de reservatório e alterações motoras colônicas, inclusive com aumento da contratilidade pós-prandial em alguns casos. Isso explica por que os sintomas pioram depois das refeições e por que muitos pacientes relatam evacuações em salva. O item que foge desse conjunto é a ideia de “alongamento da zona de alta pressão”. Após a ressecção anterior baixa, o que se espera é comprometimento da função esfincteriana e da zona anal de alta pressão, e não seu alongamento como alteração fisiopatológica típica. Portanto, a alternativa B é a exceção pedida pela questão.