Um paciente, sexo masculino, 58 anos, sabidamente diabético há 15 anos, foi encaminhado para avaliação de doença renal associada ao diabetes, após queixar-se de edema de membros inferiores e urina espumosa. Assinale a opção que indica o exame que pode mostrar a presença da doença renal diabética, independentemente de sua taxa de filtração glomerular.
- A)Albuminúria.
Correta, porque a albuminúria é um marcador precoce de lesão renal diabética e pode estar presente mesmo com TFG preservada.
- B)Calciúria.
Errada, porque calciúria não é marcador de nefropatia diabética e não é usada para rastrear doença renal por diabetes.
- C)Glicosúria.
Errada, porque glicosúria depende principalmente da glicemia e do limiar renal de glicose, não sendo exame para mostrar nefropatia diabética.
- D)Fosfatúria.
Errada, porque fosfatúria não é marcador típico de doença renal diabética e não serve para esse diagnóstico.
- E)Oxalúria.
Errada, porque oxalúria se relaciona mais a distúrbios metabólicos e litíase, não à identificação de doença renal diabética.
Gabarito: A
Na doença renal diabética, o achado clássico e mais útil para rastreio é a albuminúria. Ela pode aparecer antes de queda da taxa de filtração glomerular, então serve justamente para mostrar lesão renal mesmo quando a creatinina ainda não “gritou” nada. É aquele caso em que o rim já está pedindo socorro, mas o filtro ainda parece funcionar no papel. Em termos práticos, isso significa que a presença de albumina na urina pode indicar lesão glomerular diabética independentemente da taxa de filtração glomerular. Por isso, na avaliação do paciente diabético, o exame de escolha para detecção precoce de nefropatia diabética é a albuminúria, especialmente a relação albumina/creatinina em amostra isolada de urina. A lógica é simples: a diabetes lesa o glomérulo e aumenta a permeabilidade da barreira de filtração, permitindo a passagem de albumina. Já a TFG pode permanecer normal por bastante tempo, sobretudo nas fases iniciais. Então, se a pergunta quer um exame que mostre doença renal diabética independentemente da TFG, pense em perda de albumina na urina. Isso também está alinhado com a prática clínica e com diretrizes nefrológicas e diabéticas, que usam albuminúria e TFG como marcadores complementares de lesão renal crônica. Aqui, o gabarito A está correto porque albuminúria é o marcador que denuncia o dano renal diabético mesmo antes da queda da filtração.