A doença renal diabética (DRD) é uma das principais causas de doença reenal crônica (DRC), sendo uma causa frequente de doença renal em estágio terminal, devendo-se ter uma ampla abordagem do tratamento, com algumas considerações específicas, visando o adequado controle da doença e suas complicações. Neste contexto, todas as recomendações a seguir são importantes para o controle da DRD, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)A terapia anti-hipertensiva inicial em pacientes com DRD geralmente consiste em um inibidor da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), mas não se deve usar ambos simultaneamente.
Certa, porque IECA ou BRA são a base do tratamento anti-hipertensivo na DRD, mas a associação entre eles não é recomendada.
- B)A meta de controle glicêmico em pacientes com diabetes tipo 1 e DRD é idealmente uma hemoglobina glicada menor ou igual a 7%, mas pode ser personalizada, de acordo com as complicações microvasculares com o risco de hipoglicemia.
Certa, porque a meta de HbA1c em geral é em torno de 7%, com individualização conforme risco de hipoglicemia e complicações.
- C)Em pacientes com diabetes tipo 2 com DRD e albuminúria elevada, apesar do uso de IECA ou BRA, pode ser recomendado o tratamento com um inibidor do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT2).
Certa, porque o SGLT2 pode ser indicado em diabetes tipo 2 com DRD e albuminúria, mesmo em uso prévio de IECA ou BRA.
- D)Além do controle da pressão arterial e da glicemia, todos os pacientes com DRD devem ser avaliados para modificação do estilo de vida e a maioria deles para uso de uma estatina.
Certa, porque DRD pede mudança de estilo de vida e, na maioria dos pacientes, estatina para redução de risco cardiovascular.
- E)A terapia combinada com um inibidor da ECA e um BRA, ou a combinação de um deles com um inibidor da renina, deve ser recomendada em pacientes com DRD e albuminúria acima de 300mg/24h e doença cerebral ou cardíaca isquêmica ou associadas.
Errada, porque a combinação IECA + BRA ou com inibidor de renina aumenta eventos adversos e não deve ser recomendada na DRD.
Gabarito: E
A doença renal diabética exige um pacote de medidas, não uma única ação milagrosa. Em geral, o tratamento passa por controle da glicemia, da pressão arterial, redução de albuminúria, orientação de estilo de vida e, em muitos pacientes, proteção cardiovascular com estatina e bloqueio do sistema renina-ანგiotensina. Quando há hipertensão e albuminúria, o uso inicial de IECA ou BRA é clássico, porque reduz progressão da lesão renal. Porém, usar IECA e BRA juntos não é uma boa ideia: apesar de parecer mais potente, essa dupla aumenta risco de hipotensão, hiperpotassemia e piora da função renal, sem benefício líquido consistente. A mesma lógica vale para combinar esses fármacos com inibidor direto da renina. Nas diretrizes atuais, como KDIGO e ADA, a preferência é por monoterapia com bloqueio do sistema renina-angiotensina, ajustada conforme tolerância e monitorização de creatinina e potássio. Além disso, em diabetes tipo 2 com DRD e albuminúria, os inibidores de SGLT2 ganharam papel importante por proteção renal e cardiovascular. Por isso, a alternativa E está errada: ela sugere uma terapia combinada que não deve ser recomendada na DRD, mesmo em cenários de albuminúria importante e doença isquêmica associada.