As lesões precursoras do câncer de mama são heterogêneas, com apresentação e comportamento clínico variável. Compreendem uma zona cinzenta entre as doenças benignas e malignas da mama. Sobre essas lesões, assinale a afirmativa correta.
- A)Um dos critérios que diferencia a hiperplasia ductal atípica do carcinoma ductal in situ de baixo grau é sua extensão ser menor que 2 mm.
Certa: a extensão menor que 2 mm é critério usado para diferenciar hiperplasia ductal atípica de CDIS de baixo grau.
- B)A presença de expressão de CK5/6 e CK14 em padrão mosaico é comum tanto na hiperplasia ductal atípica quanto no carcinoma in situ de baixo grau.
Errada: CK5/6 e CK14 em padrão mosaico são típicos de lesões benignas usuais, não de hiperplasia ductal atípica nem de CDIS de baixo grau.
- C)A hiperplasia lobular atípica não é considerada uma lesão marcadora de risco para câncer de mama.
Errada: a hiperplasia lobular atípica é, sim, uma lesão marcadora de risco para câncer de mama.
- D)Uma das características típicas das lesões proliferativas intralobulares é a expressão da molécula e-caderina.
Errada: as lesões proliferativas intralobulares são tipicamente e-caderina negativas, e não expressoras dessa molécula.
- E)A atipia de células planas caracteriza-se por intenso pleomorfismo nuclear, semelhante ao CDIS de alto grau.
Errada: a atipia de células planas costuma ser de baixo grau, sem o intenso pleomorfismo nuclear típico do CDIS de alto grau.
Gabarito: A
As lesões precursoras do câncer de mama formam um espectro, indo de alterações benignas a lesões claramente malignas, e por isso a fronteira entre elas pode ser bem sutil. Na prática, o patologista olha padrão arquitetural, grau de atipia, extensão da lesão e marcadores imuno-histoquímicos para separar esses grupos. É um tema clássico de prova porque a banca adora trocar um nome pelo outro e testar detalhes pequenos, quase microscópicos - literalmente. A hiperplasia ductal atípica e o carcinoma ductal in situ (CDIS) de baixo grau têm muita semelhança morfológica. O que ajuda a separar os dois é principalmente a extensão da lesão: quando a proliferação é pequena, limitada e com extensão menor que 2 mm, pensa-se em hiperplasia ductal atípica; quando ultrapassa esse limite, o diagnóstico favorece CDIS de baixo grau. Então a alternativa A está correta porque usa exatamente esse critério de corte, que é um dos mais cobrados. Já os marcadores de imunohistoquímica ajudam bastante: lesões usuais benignas costumam manter camada mioepitelial e mostrar padrão de células basais/mosaico com CK5/6 e CK14, enquanto as lesões neoplásicas de baixo grau tendem a perder esse padrão. Outro ponto importante é a e-caderina: ela costuma estar presente nas lesões ductais e ausente nas lobulares, o que ajuda muito na diferenciação. Em resumo, a prova quer ver se você sabe que nem toda lesão atípica vira câncer, mas algumas são bem mais suspeitas e pedem vigilância de perto.