Um lactente de 4 meses chega à emergência apresentando irritabilidade e cianose central, com saturação de oxigênio de 48%. A mãe relata que a criança é portadora de cardiopatia e está aguardando cirurgia. Estava bem, porém apresentou quadro viral acompanhado de vômitos e diarreia nas últimas 48 horas. Sobre este caso, analise as afirmativas a seguir. I. Provavelmente trata-se de Tetralogia de Fallot e a criança apresenta no momento crise hipóxica desencadeada por desidratação. Deve ser tratado com reposição volumétrica, além de medidas específicas. II. Provavelmente trata-se de Tetralogia de Fallot e, no momento, a criança está em insuficiência cardíaca descompensada. Deve ser tratado com restrição hídrica e diuréticos. III. O tratamento imediato inclui, entre outras medidas, colocar a criança em posição genupeitoral. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
Errada, porque a afirmativa I está correta, mas não é a única.
- B)II, apenas.
Errada, porque o quadro não sugere insuficiência cardíaca descompensada e a conduta proposta não é a adequada para crise hipóxica.
- C)III, apenas.
Errada, porque a posição genupeitoral é uma medida correta, mas a afirmativa III não é a única verdadeira.
- D)I e II, apenas.
Errada, porque a afirmativa II está incorreta neste contexto.
- E)I e III, apenas.
Certa, porque I e III descrevem corretamente a crise hipóxica na Tetralogia de Fallot e sua abordagem inicial.
Gabarito: E
O quadro é muito sugestivo de Tetralogia de Fallot com crise hipóxica, também chamada de crise tet, que costuma aparecer em lactentes com cardiopatia cianótica quando há aumento do shunt direita-esquerda. Desidratação, choro, irritabilidade, febre ou esforço para evacuar podem precipitar essa descompensação, porque aumentam a resistência à saída do ventrículo direito ou reduzem o retorno venoso, piorando a oxigenação. Não é, portanto, uma crise de insuficiência cardíaca congestiva como se vê em lesões com hiperfluxo pulmonar e congestão; aqui o problema central é a hipóxia aguda por piora do fluxo pulmonar. Na crise hipóxica, o tratamento imediato inclui medidas para aumentar a oxigenação e diminuir o shunt: oferecer oxigênio, acalmar a criança, corrigir acidose e hipovolemia, usar analgesia/sedação se necessário e, quando indicado, medicações como beta-bloqueador. A posição genupeitoral ajuda porque aumenta a resistência vascular sistêmica, reduzindo a passagem de sangue desoxigenado para a circulação sistêmica e melhorando a saturação. Por isso, a afirmativa I está correta: a desidratação pode desencadear crise hipóxica em Tetralogia de Fallot, e a reposição volêmica faz parte do manejo. A afirmativa III também está correta, pois a posição genupeitoral é uma medida clássica e imediata. Já a afirmativa II está errada, porque restrição hídrica e diuréticos são medidas de insuficiência cardíaca por congestão, não do tipo de descompensação descrita no enunciado. Em prova, pense assim: lactente cianótico com crise súbita, especialmente após choro, febre ou desidratação, costuma ser Fallot até prova em contrário. A banca adora misturar crise hipóxica com insuficiência cardíaca para ver se você troca o remédio certo pelo remédio errado.